Archive | June, 2013

Stresse: a resposta a situações de ameaça

24 Jun

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Há dias acordei com aqueles sintomas evidentes de stresse: frio na barriga, borboletas no estômago. Conheço bem esta sensação que muitas vezes já me deixou apreensiva perante um problema, em alguns momentos com uma enorme vontade de fugir dele, mas que agora fazia-me reagir com um claro instinto de luta. Apesar de experimentar uma certa dose de medo, sentia-me corajosa.

É precisamente assim a ‘matéria’ do stresse, diz-me a psicóloga Ana Almeida, diretora da Clínica Psicronos. Em teoria, “é a resposta natural do organismo a situações de ameaça”, e sempre que uma pessoa identifica este tipo de situações ameaçadoras, “o organismo prepara-se para uma resposta”, que pode ser de luta ou de fuga, “desencadeando uma série de reações bioquímicas”.

Uma delas é a produção de adrenalina (medo), e a combinação de todas “torna o corpo mais eficiente para responder de forma rápida e intensa”.

Mas, na prática há pessoas que veem ameaças em situações perfeitamente comuns. Outras assustam-se com os próprios pensamentos. Quem tem este tipo de perfil tende a sofrer por antecedência. E, assim sendo, o medo de vir a ser assaltado na rua, por exemplo, pode ser gerador de muito stresse.

Quando alguém “está exposto a situações de stresse tende a ficar num estado emocional de hipervigilância, tensa e alerta, e vê os acontecimentos como ameaçadores”. Mas os acontecimentos não são maus nem bons, é a forma como os percecionamos e classificamos que os torna uma coisa ou outra, garante a psicóloga.

Seja como for nem tudo está perdido. Há um lado bom no stresse: na dose certa, “ele coloca o organismo e a mente vigilantes, dando a energia necessária para enfrentar os desafios que a vida vai colocando”.

Pelo contrário, o relaxamento excessivo “pode levar à indolência e à inatividade”. Posto isto, o desafio pode ser mesmo conseguirmos manter o nível de stresse na medida certa! Vai tentar manter o seu?

Viver as emoções

17 Jun

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É claro que é bom sorrir! E sentir amor por alguém. Ou por algo. Sorrir é sinal de alegria e um ótimo remédio para manter longe a depressão, o que, por si só, serviria para fazer-nos sorrir mais vezes. Mas a verdade é que também precisamos dos nossos momentos de dor, de sentir tristeza e chorar. Sem que isso seja uma tragédia. E sem termos que sentir vergonha por isso.

Eu falo por mim que sou alegre e gosto de rir, mas aprendi a não me privar de umas boas lágrimas e viver a minha dose de tristeza quando a ‘vida’ me prega uma partida. Ou sempre que me emociono com um gesto autêntico.

Os especialistas chamam a isto ter capacidade de nos emocionarmos e esclarecem que é bom tê-la. Não só é benéfico, como “é essencial, vital e adaptativo”, garante a psicoterapeuta e mediadora familiar Rita Duarte, explicando que em termos evolutivos, as emoções surgem mesmo antes do pensamento.

Explica ainda que na perspetiva da inteligência emocional, o uso das emoções como guia conduz-nos à satisfação das necessidades. “As emoções indicam-nos o que está a acontecer connosco na relação com o mundo interior e exterior, mobilizando-nos, ou não, para responder”. Por isso, podemos dizer que são essencialmente comunicação connosco próprios. “Fazem-nos sentir vivos e, sobretudo, dão-nos sentido de coerência”.

Mas apesar de todas estas vantagens, nem sempre conseguimos descodificar as sensações do nosso corpo e traduzi-las em emoções. A ‘culpa’ é da “variedade de experiências que cada pessoa tem, e da forma como aprendeu a lê-las interiormente”

E, em alguns casos, da educação que recebeu. Quando esta foi castradora relativamente a viver algumas emoções como a zanga e a tristeza, por exemplo. Ao contrário do que por vezes nos é ensinado, “é altamente adaptativo senti-las nas suas formas primárias”, que é o mesmo que dizer “quando não resultam de qualquer consequência das emoções primárias ou de aprendizagens para influenciar ou manipular os outros”.

As emoções são movimentos de energia e, como tal, não devem ser negadas. Até mesmo para que “não se transformem em fantasmas permanentes”! Eu não nego as minhas!

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