Archive | October, 2013

O que dizem os seus pés?

30 Oct

Reflex

O meu primeiro contacto com a reflexologia foi primeiro curioso, depois surpreendente. E, graças à minha personalidade extrovertida, simultaneamente hilariante. Já lá vão alguns anos.

Como é que os meus pés podiam falar assim de mim, dizendo coisas que eu própria desconhecia e murmurando bloqueios que eu já imaginava? Senti-me desnudada. Quem já experimentou esta terapia sabe do que estou a falar.

Existe mesmo “ uma ligação direta entre vários pontos específicos dos pés e as várias partes do nosso corpo”, confirma a terapeuta Ana Margarida Costa. Ou seja, estes pontos estão “diretamente relacionados com ossos e articulações, órgãos, glândulas e sistema nervoso”.

Ao pressionar estas “zonas reflexas” do pé, o terapeuta faz uma leitura da história da pessoa. E pela “estimulação dos vários pontos, ajuda o organismo a recuperar o seu equilíbrio e a fortalecer o sistema imunitário”.

Para além da “reposição do equilíbrio geral”, de acordo com Ana Margarida Costa, a reflexologia “pode ser utilizada com fins preventivos ou na identificação de disfunções, antes mesmo de haver sintomas”.

Os benefícios desta abordagem holística são abrangentes – alivia dores, diminui a tensão e a ansiedade, estimula a circulação sanguínea e linfática, regulariza o trânsito intestinal, equilibra o metabolismo e o sistema imunitário, e ajuda na eliminação de toxinas.

Apesar do nosso “organismo ser inteligente e procurar sempre a autorregulação, às vezes é preciso ajudar a repor a harmonia” E depois, uma massagem nos pés sabe tão bem!

Com o sol pelos joelhos

28 Oct

Domingo ao sol 1  R jpg

O bonito dia de domingo apanhou-me desprevenida! Mas depois de uma semana tão cinzenta e chuvosa, quem podia imaginar o regresso de um enorme sol redondo que convida a programas ao ar livre?

Eu não, que tenho sentido o cheiro húmido de novembro a aproximar-se. Por isso, quando abri a janela e aquela maravilhosa bola amarela entrou pelo meu quarto adentro fiquei em êxatase.

Mas logo conclui que era tarde para mudar os meus planos. Até mesmo porque não podia. Apesar de ter passado a semana a desdobrar-me em várias tarefas, tinha mesmo de trabalhar sábado e domingo.

Dividida entre o ginásio, onde começo as minhas manhãs, ‘alimentar’ o blog e assistir a três horas semanais de um curso de três meses que estou a fazer, às vezes tenho a sensação que um dia inteiro e algumas horas da noite não chegam.

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Mas com disciplina (aprendi a importância da método com uma mulher que teria dado um bom militar, a minha mãe) e algumas horas extras pela noite, vou conseguindo responder a tudo.  E até mesmo dedicar uma hora do dia à leitura de um livro.

Mas esta última semana foi atípica. As ‘coisas’ não correram com a fluidez do costume e  tive de arranjar soluções à última hora, o que atrasou todo o processo de criação. Portanto, havia que pensar e planear os próximos posts, investigar e começar a  escrever alguns textos.

Sentido prático e otimismo é o que não me falta nos últimos tempos, por isso  convenço-me imediatamente que outros dias maravilhosos de sol virão e,  sem olhar para tràs, preparo-me para começar a trabalhar.

Sento-me com o sol pelos joelhos, quase colada à janela com vista para a copa das árvores do pequeno jardim. E uma grande caneca de chá à mão, uma mistura de chá verde e folhas de menta que trouxe há um ano de Marrocos, e que vou bebericando pela tarde.

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Depois de uma rápida consulta dos jornais online, começo a escrever as minhas notas e os meus textos. E ao princípio da noite – com a mudança dos relógios para a hora de inverno anoiteceu mais cedo -, o essencial está feito.

De um lado o Homem na Escuridão, de Paul Auster. Do outro um pequeno livro de bolso da Penguin, a parábola de John Steinbeck, The Pearl, ainda no princípio.  Os dois ali à mão, à minha espera.

Leio um. E depois o outro. Normalmente leio dois livros aos mesmo tempo. Gosto da escrita de ambos, mestres na descrição de ambientes e personagens. O de Steinbeck exige-me mais concentração, uma vez que está escrito na língua do autor. Mas dá-me igual prazer.

Chego a meio da página 5 presa a uma frase “it was a morning like other mornings and yet perfect among mornings”. E inspirada por ela, ouço-me dizer:  foi um domingo diferente de outros domingos, mas mesmo assim perfeito! 

Porquê um personal trainer?

25 Oct

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Para mim, é um daqueles ‘luxos’ que adorava ter: um PT só para mim, duas vezes por semana. Pronto, uma que fosse!

Para motivar-me ainda mais e dar-me segurança, ajudar-me a ir mais longe e conseguir obter resultados mais rápidos.

Imagino que será por isso que há cada vez mais pessoas a treinar com PTs. Para além das razões de saúde e estéticas, o propósito de perder peso e tonificar o corpo em menos tempo.

TRX 1 RR

Eu devo confessar que agrada-me também esta ideia de exclusividade!

Por isso, quando o Bruno Souza me desafiou para esta experiência, de o ter como o meu PT por um dia, fiz como D. Luísa de Gusmão, que consta ter afirmado: “antes ser rainha uma hora do que duquesa toda a vida”.

O Bruno é PT, mas também faz horas na sala de exercício, pelo que é ele que faz os meus planos de treino há um ano (os resultados são excelentes).

box 1 R

E, por isso, o treino deste dia teve em conta os meus objetivos, que são estéticos, com exercícios que são uma sequência natural dos que eu faço. Ultimamente três vezes por semana, pois intercalo com várias aulas.

Adorei o supino plano, um exercício livre só de braços que trabalha essencialmente a coordenação e o equilíbrio. Achei interessante o lunge dinâmico sobre 2 Bosus. E perdi-me de amores pela flexão dinâmica – fazer flexões entre dois decks, com as pernas apoiadas numa bola.

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Os exercícios no TRX foram um enorme desafio. São essencialmente de coordenação e exigem muito trabalho abdominal. Nem sempre tive à altura, desconfio!

Com a corda que o Bruno me assegura ser um exercício lúdico, “mas que exige muita consciência corporal” –, não cheguei a perceber se me diverti?!

Mas quando calcei as luvas de box senti-me uma verdadeira guerreira! Quero mais!

Entre identidades

23 Oct

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Milan Kundera é, decididamente, um dos meus autores preferidos. E este título, A Identidade, um dos meus favoritos. Lio-o este verão quase num só fôlego, e houve páginas em que quase fiquei sem ele.

Um livro provoca-nos para além da genialidade da sua escrita, e no caso de Kundera isso é inquestionável. Quando mergulhar no seu enredo se torna catarse, já não conseguimos parar. E, então, é como se a normalidade nos fosse finalmente restituída.

A Identidade de Kundera fala nisso mesmo: de identidade. De identidades que correm o risco de dissolver-se umas nas outras – Chantal e Jean-Marc amam-se tanto que por vezes parecem confundir-se.

E de crise de identidade. A crise de identidade vivida intensamente por Chantal, a mulher que na sua juventude queria “ser perfume de rosa, um perfume expansivo e conquistador”. E que assim queria “atravessar todos os homens e, através dos homens, a terra inteira”.

E que agora, em plena crise da meia-idade, dá-se conta de que “os homens já não se voltam” por causa dela.

Será que perdeu a identidade de antes? Um ‘clique’, uma ‘promessa’ incerta vai fazer com que ela tente recuperar essa identidade perdida entre dois casamentos e a morte de um filho.

Seguramente um segredo bem guardado, quantas mulheres não se revêm (ou reviram, em algum momento), nesta Chantel que  o olhar amoroso do marido já não pode consolar? “Porque o olhar do amor é o olhar do isolamento.”

Não é deste tipo de olhar que ela precisa, “mas da inundação dos olhares desconhecidos, grosseiros (…) e que poisam nela sem simpatia, sem escolha, sem ternura nem delicadeza. Esses olhares conservam-na na sociedade dos humanos do qual é separada pelo olhar do amor.”

Numa história que pode ser considerada um romance de amor, Kundera explora o universo íntimo da mulher com absoluta mestria.

E do casal, obrigando-nos a conhecer a rede complicada de caminhos que ele percorre, cruzando a fronteira entre o real e o imaginário, numa luta contra o desgaste do tempo.

Reforçar o sistema imunitário

21 Oct

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Uma ligeira sensação desagradável na garganta faz-me pensar que chegou o tempo das constipações e das gripes. Para além da vacina, indicada para grupos muito específicos, o que fazer para evitálas?

Reforçar o sistema imunitário através do que comemos, por exemplo? Segundo Tânia Francisco, nutricionista da Nutradvance, à partida o fortalecimento deste sistema não requer cuidados especiais com a alimentação.

Ter uma alimentação saudável e equilibrada, que forneça a dose média diária de todos os nutrientes, é a melhor forma de mantermo-nos saudáveis, garante.

O problema é que “a maioria das pessoas tem uma alimentação desregrada, consome muitos alimentos ricos em gordura e açúcar e pobres em vitaminas e oligoelementos”.

Neste caso, convém dar ao organismo “os componentes mais importantes na manutenção do sistema imunitário, que contribuem para protegê-lo das agressões externas” a que estamos mais sujeitos nesta altura do ano.

Deve-se privilegiar os alimentos com vitamina A (óleos de fígado de peixe, fígado de vaca, gema de ovo, manteiga, natas), vitamina E (óleo vegetal, germen de trigo, vegetais de folhas verdes, gemas de ovo, margarina, legumes) e vitamina C (citrinos, kiwi, tomates, batata, verduras).

Mas também os carotenos (transformados em vitamina A no intestino: vegetais de folhas verdes, vegetais amarelos e frutas) e os bioflavonoides (frutas e vegetais)

Beber água é mais um conselho a ter em conta. “É muito importante, pois ela atua em todas as funções biológicas do organismo e tem uma função importante na excreção de toxinas”. Mas também tisanas, que “poderão ser uma alternativa para complementar o consumo de água”.

Paralelamente,  há que evitar “o consumo das bebidas alcoólicas, o café em excesso, hábitos que contribuem para acentuar da vulnerabilidade do organismo”.

Atravessar o outono com ânimo

18 Oct

Jardins 1 RECORTADA

Até que o outono tem sido generoso, com dias quentes e luminosos. Mas a cada dia que passa percebemos que já não será por muito mais tempo.

Com passos de bebé, as noites chegam mais cedo. Brevemente, com a mudança da hora, o cenário de luz será ainda mais breve. E com ele, o risco de nos sentirmos nostálgicos. Alguns ‘deprimidos’.

Será mesmo assim? Poderão os dias curtos e cinzentos ter uma influência tão determinante nos nossos ‘estados de alma’?

Se os animais e as plantas apresentam fotoperiodismo, ou seja capacidade de reagir à duração da luminosidade diária a que estão submetidos, como explica a psicóloga Melanie Tavares, porque é que havia de ser diferente com o homem?

Há, de facto, uma relação clara entre luz e humor. “A redução da luz solar pode levar algumas pessoas a apresentar uma redução das funções cognitivas e a ficar deprimidas”, observa.

Há espécies em que a inibição psicomotora é tão expressiva que dá origem à hibernação, diz, sublinhando que “a depressão, por vezes funciona como um ancestral da hibernação”.

E se é verdade que não podemos hibernar, ou migrar, como fazem algumas aves para fugir às estações frias, podemos adaptar os nossos hábitos e comportamento, de forma a prevenir ‘estes estados depressivos’ provocados pela falta de luz.

No essencial, explica Melanie Tavares, “ter mais tempo as luzes de casa acesas, dormir e acordar cedo, alimentarmo-nos bem e praticar desporto”. Mas também “aproveitar para sair de casa e estar ao ar livre, sempre que há sol. E, claro, conviver”.

4 Exercícios para tonificar o ‘músculo do adeus’

16 Oct

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O ‘músculo do adeus’ é o nome que é dado ao tricípite. É um dos primeiros músculos do nosso corpo a ganhar flacidez, muitas das vezes devido a oscilações de peso.

Para prevenir a situação, ou combate-la, a instrutora de fitness/PT Carolina Ferreira propõe-nos alguns minutos de exercícios diários. Faça três séries dos que se seguem, descansando 30 segundos entre elas (As fotos foram tiradas no Jazzy Life Club, em Lisboa)

Musculo do adeus b recortado          musculo do adeus recortado

• Flexões com mãos: com o corpo em prancha – braços esticados  na linha dos ombros e pernas esticadas ou de joelhos – flita os braços aproximando o peito do chão e volte à posição inicial (mantenha sempre os cotovelos junte ao tronco). Repita 15 vezes.

Musculo do adeus 2 superrecortado          Musculo do adeus 2 a recortado X

• Tricípite francês unilateral: em pé (com os pés alinhados com a bacia e joelhos levemente fletidos) ou sentado, segure um alter (pode ser uma garrafa de água de 2,5 L) com a mão direita, e flita o braço atrás da cabeça com o cotovelo para cima, depois estique o antebraço e volte para cima, num movimento lento. Faça o mesmo exercício com o outro braço. Repita 15 vezes.

Musculo do adeus 3 a recortada          Musculo do adeus 3 recortado

• Tricípite à testa: deitada com as costas apoiadas no solo, os joelhos fletidos e os pés no chão, segure um peso em cada mão, com as palmas viradas uma para a outra, e os braços esticados. Faça flexão dos cotovelos, levando o peso na direção da testa, lentamente, e volte depois à posição inicial. Repita 15 vezes.

Musculo do adeus 1 a recortado         MA last recortado

• Fundos de tricípite: na extremidade de uma cadeira, faça flexão de cotovelos de forma que o antebraço fique perpendicular ao solo e consequentemente o braço paralelo ao mesmo. Força ao esticar os cotovelos (estes devem estar mais uma vez à largura dos ombros durante a execução total do exercício.) As pernas podem estar fletidas para diminuir a dificuldade. Repita 15 vezes.

Um sentido para a vida

14 Oct

Sentido recortado

Coincidência ou não, quando já tinha programado ir ao cinema, ‘encalhei’ com o livro de Viktor E. Frankl, O Homem em Busca de um Sentido.

Caiu-me literalmente no colo, quando tentava limpar o pó a uma estante. Já não saí.

Li-o a primeira vez (uma edição brasileira) há cinco ou seis anos quando estava a escrever um artigo sobre felicidade. Tinha-me sido indicado por um psicólogo que entrevistei na altura para esse trabalho. Fez-me pensar.

Mais do que o sofrimento que passou no campo de concentração e viu os outros prisioneiros passar, Viktor E. Frankl, o psicoterapeuta judeu sobrevivente de Auschwitz, explica-nos aqui como sobreviveu.

Ao que Nietzsche tinha chamado “uma razão para viver” – e que apresentava como condição para “suportar quase tudo” –, Frankl chama sentido para a vida.

Era sua convicção de que não podendo controlar o que nos acontece, podemos controlar o que iremos sentir e fazer relativamente a isso.

Ele escolheu manter a esperança, ter objetivos. Escolheu ‘ter um sentido para a vida, para além das adversidades’ – de ser prisioneiro num campo de concentração.

Entregou-se à memória da sua mulher, também condenada. Ao mesmo tempo que se via no futuro a discursar para um público imaginário, expondo o seu método para suportar os horrores e sobreviver.

No fim da guerra, libertado, Frankl não encontrou a mulher, estava morta, mas pode explicar como ultrapassou o sofrimento. E assim fundou a logoterapia.

No essencial, a logoterapia parte de uma conceção filosófica que tem o indivíduo enquanto pessoa como centro.

Rejeitando a teoria de Freud de que o impulso primário do ser humano é a busca  ou vontade do prazer, e a de Adler, a de poder, Frank defende que é, antes, a busca de sentido.

Um sentido que diz descobrir-se numa obra, no amor, numa tarefa que se realiza. A cada um cabe perguntar: ‘o que a vida quer de mim?’ Encontrar o sentido para a sua vida, para além das circunstâncias

“Em última instância, viver significa assumir a responsabilidade de encontrar a resposta correta para os problemas que a vida coloca, e cumprir as tarefas que ela continuamente aponta a cada pessoa”, escreve.

Frankl faz-me sempre pensar. E, acima de tudo, inspira-me!

Dormir na Casa da Tia Amália

11 Oct

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Ainda não conheço a Casa da ‘Tia Amália’, mas não resisto a falar-lhes desta bonita estalagem que vou descobrindo pelas fotos que me enviaram e no site.

É uma mistura de Hostel e Guest House e uma opção nova em Mértola – o lugar onde eu nasci, tão dado a descobrir-se nestes dias de ameno outono, por outubro fora.

 Sala Marta RECORTADA

O projeto de transformar uma antiga residência de família neste tipo de hospedagem, dando uma segunda e uma terceira vidas aos móveis cinquentenários, partiu de umas amigas minhas, ‘especialistas’ em decoração e com muito bom gosto

O resultado está à vista na medida estética que conseguiram dar-lhe, onde o antigo e o contemporâneo se conjugam harmoniosamente, transmitindo conforto e serenidade aos espaços.

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Situada na pequena povoação Além Rio, na outra margem do Guadiana, a Casa da Tia Amália tem uma localização estratégica com vista privilegiada sobre Mértola antiga, das casas brancas distribuídas em cantareira. No meio o rio e uma ponte.

Tem um pequeno apartamento, um T1 (onde é possível cozinhar), 2 quartos duplos, 2 suites e 2 dormitórios em regime de hostel (alugados à cama)

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Assegura sossego e aconchego. E, se o desejarmos, pequenos-almoços com sabor aos produtos da terra – o delicioso mel de rosmaninho (o meu preferido), o bolo e o doce de tomate feitos na cozinha, o pão dos Bouzões (uma povoação do concelho), o queijo e as laranjas do pomar.

Pacotes especiais, normalmente associados a acontecimentos ou festas na vila, que incluem atividades pontuais e mimos especiais, é mais uma das opções desta bonita estalagem.

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Um dos mais recentes, integrado na semana do Mel (os Pacotes do Mel), ainda se encontra em vigor (e cujas características pode ficar a conhecer no site).

Para conhecer Mértola, e descobrir os seus recantos mágicos – para além do riquíssimo património cultural e natural – o desafio é fazê-lo de forma ecológica.

Sempre que possível, através de longos passeios a pé. Ou de bicicleta, que pode alugar também na Casa da Tia Amália, Além Rio.

No cinema às três.

9 Oct

Eu e Tu sala recortada

Meia hora para comprar o bilhete e os Halls sem açúcar, dar um pulo à livraria Bertrand, e entrar na sala 1 do Monumental sete minutos antes de o filme começar – às três e trinta. Gosto de fazer as coisas com tempo.

E ainda bem! Pois tive de mudar de lugar, à última da hora. Não entendo a mania de algumas pessoas, de sentarem-se ao colo dos outros. Com cerca de vinte na sala, francamente, não havia necessidade!

Isto tudo em nome de Bertolucci. E do seu mais recente filme Eu e Tu. Um ano depois de ter ido a Cannes, chega a Portugal.

A espectativa é grande tratando-se de Bernardo Bertolucci, realizador de filmes como Último Tango em Paris (1972) e O Último Imperador (1987). E ainda mais quando se ausentou uma década – a última realização era de 2003, Os Sonhadores.

Não é extraordinário este drama de Bertolucci sobre um adolescente na idade do armário, introvertido e antissocial. Mas é bom, vê-se muito bem. Gostei da fotografia e da música (com espaço para um tema de David Bowie), e da ideia de um só cenário para filmar os dilemas juvenis (o que não é uma novidade no realizador italiano).

Eu e Tu 1 recortado

Mas voltando à história, Lorenzo é um jovem que tenta manter-se longe do mundo e perto das coisas que gosta: ler e ouvir música. O seu maior sonho é viver só, mas na impossibilidade de o fazer, experimenta a sensação isolando-se na cave do seu prédio durante uma semana.

Os pais estão convencidos que foi numa viagem de turma, para uma estância de esqui. E felizes com o que interpretam ser um pequeno sinal da sua abertura.

No primeiro dia, tudo acontece como Lorenzo havia sonhado. Mas depois tudo muda, com a chega da sua meia-irmã, com praticament o dobro da idade dele, que escolhe o mesmo lugar para fazer uma desintoxicação da droga (heroína).

E eles, que nunca tinham convivido, acabam por se entender, por se entreajudar, ajudando-se a curar as feridas um do outro. Conhecer Olívia vai alterar para sempre a maneira de Lorenzo ver a vida, superando a aversão ao contacto humano e ao convívio. Ou, pelo menos, é essa a ideia  que fica!

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