Com o sol pelos joelhos

28 Oct

Domingo ao sol 1  R jpg

O bonito dia de domingo apanhou-me desprevenida! Mas depois de uma semana tão cinzenta e chuvosa, quem podia imaginar o regresso de um enorme sol redondo que convida a programas ao ar livre?

Eu não, que tenho sentido o cheiro húmido de novembro a aproximar-se. Por isso, quando abri a janela e aquela maravilhosa bola amarela entrou pelo meu quarto adentro fiquei em êxatase.

Mas logo conclui que era tarde para mudar os meus planos. Até mesmo porque não podia. Apesar de ter passado a semana a desdobrar-me em várias tarefas, tinha mesmo de trabalhar sábado e domingo.

Dividida entre o ginásio, onde começo as minhas manhãs, ‘alimentar’ o blog e assistir a três horas semanais de um curso de três meses que estou a fazer, às vezes tenho a sensação que um dia inteiro e algumas horas da noite não chegam.

H E R

Mas com disciplina (aprendi a importância da método com uma mulher que teria dado um bom militar, a minha mãe) e algumas horas extras pela noite, vou conseguindo responder a tudo.  E até mesmo dedicar uma hora do dia à leitura de um livro.

Mas esta última semana foi atípica. As ‘coisas’ não correram com a fluidez do costume e  tive de arranjar soluções à última hora, o que atrasou todo o processo de criação. Portanto, havia que pensar e planear os próximos posts, investigar e começar a  escrever alguns textos.

Sentido prático e otimismo é o que não me falta nos últimos tempos, por isso  convenço-me imediatamente que outros dias maravilhosos de sol virão e,  sem olhar para tràs, preparo-me para começar a trabalhar.

Sento-me com o sol pelos joelhos, quase colada à janela com vista para a copa das árvores do pequeno jardim. E uma grande caneca de chá à mão, uma mistura de chá verde e folhas de menta que trouxe há um ano de Marrocos, e que vou bebericando pela tarde.

JS R

Depois de uma rápida consulta dos jornais online, começo a escrever as minhas notas e os meus textos. E ao princípio da noite – com a mudança dos relógios para a hora de inverno anoiteceu mais cedo -, o essencial está feito.

De um lado o Homem na Escuridão, de Paul Auster. Do outro um pequeno livro de bolso da Penguin, a parábola de John Steinbeck, The Pearl, ainda no princípio.  Os dois ali à mão, à minha espera.

Leio um. E depois o outro. Normalmente leio dois livros aos mesmo tempo. Gosto da escrita de ambos, mestres na descrição de ambientes e personagens. O de Steinbeck exige-me mais concentração, uma vez que está escrito na língua do autor. Mas dá-me igual prazer.

Chego a meio da página 5 presa a uma frase “it was a morning like other mornings and yet perfect among mornings”. E inspirada por ela, ouço-me dizer:  foi um domingo diferente de outros domingos, mas mesmo assim perfeito! 

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