A Ignorância, um romance sobre a memória

8 Nov

Ignorancia MK

Uma mulher e um homem – Irene e Josef – encontram-se por acaso num aeroporto durante uma viagem a Praga, depois da queda dos regimes comunistas do Leste da Europa em 1989.

Os dois estão de regresso ao seu país natal, de onde emigraram duas décadas antes. Têm em comum uma história de exílio, a mesma nostalgia do que deixaram para trás.

Ambos sentem que perderam laços essenciais com a sua terra, impossíveis de reatar. Mas diferentes perspetivas em relação ao futuro.

Irene talvez não regresse a França, apesar da sensação de estranheza que por vezes apodera-se dela (pertencerá mesmo ali?). Josef tem a certeza: está apenas de passagem. Regressará à Dinamarca.

A Ignorância é mais uma excelente história de Milan Kundera. É uma profunda reflexão sobre a emigração (um fenómeno com grande extensão durante o seculo XX) e a condição humana. E uma análise da atualidade.

É um romance sobre a memória, onde o autor deita por terra a ideia de nostalgia.

Recordando a etimologia da palavra (nostalgia), que em grego é “o sofrimento causado pelo desejo insatisfeito de regressar”, defende que este sentimento liga-se também à ignorância: “só há nostalgia do que não temos notícia”.

Como Kundera afirma, “acaso” é outra forma de dizer “destino”. E na memória, eles harmonizam-se.

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