Aventura no ar

22 Nov

satu R

Se eu soubesse para o que ia, não tinha ido. Admiti-o assim que me vi em terra firme no primeiro andar do Centro Comercial de Oeiras quarta-feira à tarde.

Mas quando me disseram que a forma mais prática de chegar ao Oeiras Parque era através de comboio (primeiro no da CP, até Paço de Arcos, depois num outro que respondia pelo nome de SATU, que me levaria ao meu destino), não me passou pela cabeça que ia ter uma experiência tão… vertiginosa!

O facto de ter de comprar o bilhete de ida e volta numa máquina não me preocupou, é banal, mas à medida que fui atingindo a plataforma sem ver ninguém à minha volta comecei a desconfiar.

E mais ainda quando vi uma espécie de elétrico ao longe, transportado por cabo sobre carris. E sem motorista. As minhas pernas começaram a fraquejar. Pensei fugir. Quis fugir.

Satu

Por sorte estava uma outra passageira na ‘linha’. Não sei se era uma mulher ou um anjo. Pelo menos, nesse dia foi o meu anjo-da-guarda.

Deve ter visto o meu ar aterrorizado, pois assegura-me que o transporte é seguro e “a melhor ideia que tiveram nos últimos anos” – já passou quase uma década depois da inauguração.

Diz-me que costuma fazer aquele caminho pelo menos duas vezes por semana, vive em Oeiras. Às vezes sozinha, pois é quase sempre perto das quatro da tarde. E que ao principio também teve “muito medo”.

Será assim com toda a gente, ao princípio estranha-se [o SATU] e depois entranha-se? Será que eu também poderia habituar-me?

Satu

Na verdade, rapidamente chego lá acima, ao destino. E sem sofrimento. De qualquer forma, gostaria de não ter de repetir a aventura, penso. Mas não tenho outra saída.

Quando regresso, já com as sombras da noite a bailar sobre a minha cabeça, a plataforma parece-me ainda mais sinistra. A estação volta a estar abandonada. E agora eu sinto borboletas no estômago. Borboletas inquietas.

Mas mais uma vez os deuses estão do meu lado, e mandam-me outra companheira de viagem. Não é um anjo, como a primeira, mas é uma companhia para a descida.

Sã e salva, na estação de comboios ‘normal’ prometo não voltar a sair de casa sem decifrar qualquer sigla que me pareça estranha. Afinal é para isso que serve o Google e o Mozilla Firefox.

satu

Se eu tivesse colocado a palava SATU no motor de busca, teria ficado a saber que se tratava de um Sistema Automático de Transporte Urbano. E aí, uma coisa puxa a outra, ia saber o que é que eles queriam mesmo dizer com automático.

Não é nada fácil sair da zona de conforto, mesmo quando se é aventureiro!

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