Tomar decisões

9 Dec

TdecisaoAo longo dia, tomamos várias decisões sem nos darmos conta. São decisões simples.as mais complexas, como ter de decidir algo que pode mudar-nos a vida, prendem a nossa atenção.

Porque têm um risco associado, pedimos ou pedimo-nos mais tempo para refletir. Talvez por isso, acreditou-se que a tomada de decisão era um ato de natureza racional (daí o conselho: só se deve tomar decisões de cabeça fria). Até que o neurologista Manuel Damásio provou que ela acontece no cérebro, e emoção e razão estão igualmente ativas no momento de decidir.

“É um processo que ocorre entre a emoção e a razão”, defende a psicóloga Catarina Rivero. A tomada de decisão “tem muito de intuitivo”, mesmo quando “consideramos que é totalmente racional”. A racionalização vem depois, “para criar uma narrativa que justifique essa decisão”, perante nós próprios.

Mas a nossa “intuição nem sempre estará correta e a lógica, que procuramos, isenta como nos parece”, diz. “Do ponto de vista emocional somos influenciados pelas nossas experiências passadas, expetativas de futuro, e o estado emocional do momento”.

Isto é, há a possibilidade de nos “sentirmos pressionados pelas circunstâncias” do instante. Ou sermos “assaltados por emoções” que estiveram presentes num processo de tomada de decisão semelhante, no passado.

As expectativas e importância atribuídas ao que se coloca, “vão também influenciar” a forma como a sentimos, olhamos, e depois decidimos.

Por outro lado, “tendemos a perceber as situações a partir de padrões de pensamento”. O que pode ser bom, pois permite-nos “criar automatismos úteis” para muitas decisões simples do dia-a-dia, como escolher a roupa para vestir ou o menu. “Facilitam-nos em tempo e raciocínio.”

Mas também pode ser menos bom, fazendo com que “recorrentemente estejamos enviesados a partir de armadilhas do pensamento”. Algumas vezes “estaremos a considerar uma única perspetiva,  procurando confirmar a nossa ideia ou feeling inicial”. Ou “a justificar uma escolha em detrimento de alternativas” que surjam, com implicações mais evidentes nas decisões mais complexas.

Seja como for, “é bom compreender o que estamos a sentir e considerar o que nos move em determinada decisão”, conclui Catarina Rivero, esclarecendo que sentimo-nos bem com as nossas escolhas mesmo que o resultado fique aquém das espetativas, quando entendemos que elas tiveram sentido. Quando decidimos de acordo com os nossos valores e com o que acreditamos ser correto nesse momento.

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