A máscara

4 Mar

Carnival

Não gosto do Carnaval. Nunca gostei. Nem mesmo quando era criança. Mascarei-me uma ou duas vezes levada pelo impulso de pertença, mas logo decidi fazer prevalecer a minha personalidade. Ainda que isso significasse ficar sozinha neste dia. Não doeu. Fiquei com mais tempo para observar as acácias que por esta altura pintam o Alentejo.

Fui uma miúda esquisita, apesar de comunicativa e sedutora (os outros viam-me assim). Também não gostava de circo. Nem de brincar com bonecos. E se o fazia, às vezes, poucas vezes, nunca assumia o papel de mãe. Gostava mais de ser professora, pois achava que era uma profissão fascinante. Aos meus olhos, significava saber muito, ler muito, ter os olhos bem abertos. Que era tudo coisas que eu queria para mim, e para as quais já dedicava muito do meu tempo. Mais tarde reforcei esta ideia, pois o meu irmão mais velho, que nascera muitos anos antes de mim, era professor. E treinava estas competências comigo, entre jogos de pergunta resposta.

Mas sabe-se lá porquê, este ano, neste momento, sinto-me seduzida por esta máscara que comprei há dias para fazer um trabalho. E atrevo-me a dizer, tentada a sair para a rua. Com ela. Que hoje, faz-me viajar. Dentro e fora de mim!

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