No sítio onde os pássaros cantam

30 Mar

curtains

Sou quase sempre feliz. De manhã. Bem cedinho, às 6 horas Ou mais tarde quando a preguiça leva a melhor. E olho para além do vidro da minha janela, onde teimo em não pôr cortinas. Uma saída da praia desenhada de ramos vermelhos e verdes improvisa e protege-me dos olhares. É a minha barreira com o mundo, que me permite a liberdade da nudez. Sou quase sempre feliz no sítio onde os pássaros têm cantado muito por estes dias de primavera bebé, que parece não ter atingido os meses necessários de gestação. Às vezes acordam-me antes do despertador. Ontem embalaram-se num banho de espuma ao cair da noite, e foi a melhor música que podia acompanhar um momento único de relaxamento. Esvaziar a cabeça, não pensar em nada, e o canto dos pássaros. Hoje os pássaros cantam à chuva. E eu não saí de casa à volta da escrita, a minha outra escrita – da objetividade. Fiquei com eles e longe deles, dos pássaros. A concentração no texto levou-me constantemente para longe deles. Para agora regressar a eles, neste momento de intimidade com outro tipo de escrita. Ao canto dos pássaros que embalam os dias felizes, os meus. E os dias de sombras, que também são meus. As certezas e as dúvidas. Sou quase sempre feliz onde os pássaros cantam!

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