Archive | July, 2014

Ter tempo para ler

31 Jul

Mia Couto, A Confissão da Leoa

Cheguei à última página do livro de Gabriel García Márquez – o Amor nos Tempos de Cólera – já há alguns dias. E, apesar de ter pelo menos duas dezenas de títulos aqui em casa, à espera que finalmente eu decida, ou melhor, que eu tenha tempo para os ler, não resisti e comprei A Confissão da Leoa, de Mia Couto. E nos minutos seguintes colocava-o na pequena mesa ao lado do sofá. Estava tudo dito: ia lê-lo a seguir. Do primeiro direi que é uma obra de exceção, bem ao estilo de Gracía Marquez. Um cântico ao amor, mas também uma reflexão sobre a solidão, a velhice e a esperança. Florentino Ariza nunca desistiu de Fermina Daza. Esperou por ela, pacientemente, através dos anos – muitos – dos meses e dos dias. E ela fica livre para ele e aceita-o, aos setenta e três anos de idade. Cinquenta e três anos, sete meses e onze dias “com todas as suas noites” depois de terem terminado um namoro de juventude. Do segundo, posso dizer que fiquei presa a ele logo nas quatro primeiras páginas. Conheço bem a escrita de Mia Couto, já li muitos livros do escritor moçambicano, mas nos últimos anos não tenho estado a par do seu trabalho. É tempo de me redimir, portanto. Hoje vou na página sessenta.

Alentejo no horizonte

30 Jul

Mertola, a anoitecer

Mertola, sob nuvens

Ainda o Alentejo. A vila. A casa. Plano da viagem, ao anoitecer, e quase a chegar ao destino. Outro sobre o cerro, o da capela, a partir do meu quarto. Num dia que acordou cinzento e  frio, de qualquer forma mágico. Sob o sol ou à chuva, verdes ou amarelas, de manhazinha ou à noite, as paisagens alentejanas são sempre fascinantes. Absolutamente enigmáticas!

O calor de casa

29 Jul

Mertola

Mertola (fim da manhã)

Passo muito tempo sem ver o Alentejo. Sem ir a casa, a de família. Onde estão as minhas raízes. E o amor está sempre certo. Vou ficando por aqui, a cerca de 250 km de distância, a maior parte das vezes arranjando desculpas para não fazer o caminho. No inverno vou dizendo que está muito frio. No verão argumento que está muito calor e que já não estou habituada às temperaturas alentejanas. Ao princípio não havia desculpas para o Natal, para a Páscoa e para uma semana no verão. No total, somava pelo menos três semanas a sul. Mas, nos últimos anos, só cumpro o Natal com religiosidade. No resto do tempo, sem compromissos vou quando sinto vontade de ir. Aquele tipo de vontade urgente que provoca dores num órgão sem nome, que habita dentro de mim. Ou quando sei que a minha presença faz alguém particularmente feliz. Não perguntei nem ela me pediu, mas imaginei como deixaria a minha mana nesse estado de alegria se aparecesse para passar o aniversário dela. Fiz-lhe a surpresa e surpreendi-me também. É mesmo verdade que quando nos dispomos a dar, recebemos muito mais. Sob esse céu azul limpo de manhãs temperadas e casas brancas, mas também do calor escaldante das três (horas) da tarde, passei três dias perfeitos. Com horas preenchidas pelos verdadeiros prazeres – as conversas em família, as lembranças e os mimos trocados, o pequeno mundo à volta da cozinha (as panquecas têm outro sabor). A atmosfera de carinho que depois se estende aos amigos com que cresci e partilharam sonhos quase até à idade adulta. Cuidando do amor que me liga a este pequeno grupo de pessoas, esqueço o meu mundo na cidade, a rotinas, os medos, as dificuldades. Pouso a cabeça e ofereço o ombro. Deixo-me ir, deixamo-nos ir todos juntos.

Semifrio de biscoitos de alfarroba com morangos

24 Jul

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Gosto de simplificar. Se estou a criar um doce em que os protagonistas são os biscoitos de alfarroba e os morangos só posso chamar-lhe doce de biscoitos com morangos (neste caso, semifrio). A minha tendência criativa está diretamente ligada à atitude de poupança que tenho vindo a cultivar nos últimos tempos – provavelmente como a esmagadora maioria dos portugueses que vê as suas receitas sucessivamente reduzidas –, mas nem sempre com a regularidade que eu gostaria, admito. Mas um dia chego lá, tenho a certeza! Até porque este é o lado positivo de se viver com menos. Não porque isso me console, confesso também. Mas adiante, porque este assunto daria ‘pano para mangas’, e passemos à receita que se transformou na minha sobremesa de ontem à noite. Aproveitei meia dúzia de biscoitos de alfarroba (estes são Bio) esquecidos na caixa (das bolachas e biscoitos) e reduzi-os a pó no moinho de café. À parte desfiz meia dúzia de morangos, entretanto descongelados (na liquidificadora) e juntei-os a uma porção de iogurte natural de soja (quantidade a gosto). Coloquei o pó de biscoito no fundo de duas taças e sobre este a mistura de morangos com iogurte. Decorrei o preparado final com amêndoas simples torradas, um pouco de canela e sementes de chia. Levei ao congelador. Retirei meia hora antes de consumir. (Para os que gostam de sobremesas bem docinhas, aconselho que juntem umas colheres de mel ao iogurte). Enjoy!

A minha salada preferida

22 Jul

salada de aipo

Lidera as minhas preferências em matéria de saladas. Porque é simples, fresca e bonita – tem as minhas cores favoritas, os verdes e os beges –, e simultaneamente tem um sabor requintado. O toque fresco e frutado do aipo e do abacate conjuga-se na perfeição com o deste novo e encorpado queijo holandês, suavemente adocicado (o Leerdammer). Corto os três ingredientes (vindos diretamente do frigorífico) em porções pequenas, tipo quadradinhos, três minutos antes de ir para a mesa, e tempero com duas a três gotas de limão. Eu chamo-lhe salada de aipo e abacate e gosto de comê-la sem qualquer tipo de acompanhamento. Só mesmo um copo de água filtrada.

É sempre assim no início

21 Jul

alongamentos finais

pesos

Fico exausta nos primeiros dias de um novo treino. Pelo menos nos três primeiros. Doem-me os músculos, só me apetece é beber litros de água e chá, e deitar-me no sofá a tarde inteira. Pena que não possa (deitar-me). Bem vistas as coisas, também não faria sentido! Lá se ia todo o trabalho. Fico-me então pelo primeiro desejo, a beber muitas canecas de chá e alguns copos de água (menos) pela tarde. E por um banho de imersão, relaxante, no princípio da noite. Perto do fim de semana já terei cumprido a minha fase de adaptação (ao TRX e ao lounge, às pranchas e aos tricípites). É duro o meu novo treino? Claro que é duro. Quando tudo corre bem, é suposto que um novo treino seja sempre mais duro do que o último. Até porque eu não queria que não fosse. Gosto de testar os meus limites. De superar-me. Sou feliz no ginásio, como costumo dizer. A atividade física entrou muito tarde na minha vida – depois dos tempos de liceu nunca mais pratiquei, não gostava da ‘maldita’ disciplina e fui uma péssima aluna. Hoje estou no extremo oposto. Por isso quando vacilo noutros campos da vida, quando me interrogo se algum dia vou ser capaz de ultrapassar certas dificuldades, penso nesta extraordinária evolução entre alteres, pesos e bolas. E procuro inspiração

Bom dia segunda-feira!

21 Jul

aveia +banana'

banana + sementes diversas

Levantei-me cedo, decidida a tomar o meu pequeno-almoço sentada e sem pressas. Seria bom que este ritual fosse diário, mas confesso que não é. Só mesmo ao domingo. Muitas vezes acabo a comer no balcão da cozinha, enquanto vou preparando uma série de coisas ao mesmo tempo. Mas hoje vou começar um novo plano de treino no ginásio e quero estar preparada para ele. Depois de uma noite descansada, seguiram-se os cuidados nutricionais, optando por uma refeição rica em proteína. Comi umas folhinhas de espinafres enroladas em duas fatias de fiambre de peru. E depois uma taça de papas de aveia integral com banana, sementes Omega (sementes de linhaça e sementes de castanha, de chia e de pevides de abobora e de girassol), levedura de cerveja, nozes e canela. Esmigalho uma banana e misturo-a com uma colher de sopa de sementes Omega e outra de sobremesa de levedura de cerveja. Entretanto cozo a aveia com leite magro. Deixo arrefecer e misturo-a com o resto dos ingredientes. Preparada para uma hora (ou mais) de atividade física.

Parar para ouvir

19 Jul

O Tejo

Às vezes é preciso parar. Parar para não fazer nada, para além de viajar dentro de nós. Parar para ouvir. Talvez se eu fizesse mais estas paragens não tivesse que cumpri-las em modo quase de urgência. Como agora. Mas às vezes tenho medo do que posso encontrar – que vai obrigar-me a tomar decisões, a alterar os planos. Isso não tem que ser necessariamente mau, eu sei. Mas não são as mudanças que me põem o coração pequenino. É o que as obriga, uma boa parte das vezes. Ontem percebi claramente que já não tinha como fugir a este encontro frente ao espelho – a inquietação adensa-se os ombros doem. Preparo-me aqui.

O Jantar [a começar mais um fim de semana]

18 Jul

prato de quinoa

Depois do sol, as sombras da tarde anunciam uma mudança súbita do tempo. A temperatura desce um pouco. Sinto-a quando tenho de voltar à rua por volta das oito horas da noite. Já não me apetece o jantar que tinha programado, já que tinha como base uma sopa fria. Mas também não estou disposta a comer uma refeição quente. Por isso à última hora decido-me por um prato de quinoa vermelha com cogumelos, que como morno. Acompanho com uma salada de alface com maçã temperada com um fio de azeite (uma das minhas preferidas).

Acordar mais cedo para comer panquecas

16 Jul

Pancakes + sugar syrup

Fui para a cama a pensar em panquecas. Pronto, admito. Por isso, manhã cedinho, às seis horas e quarenta e cinco minutos, precisamente, decidi ir para a cozinha fazer duas para o meu pequeno-almoço. Como queria que me fornecesse uma boa dose de fibras e proteínas, para enfrentar melhor dia, resolvi seguir uma receita que a Aninhas (uma colega do ginásio) me deu, com ligeiras adaptações de última hora. Fiz assim: juntei dois ovos inteiros, duas banana esmagadas, duas colheres de sopa de gérmen de trigo e outras duas de sementes Omega (Bio) – uma mistura de sementes variadas. Adoro panquecas bem douradinhas, recheadas sempre de coisas diferentes. Desta vez usei melaço de cana  e adorei a explosão de sabores espoletada por este ‘xarope de açúcar’. Acompanhei com chá de gengibre, limão e canela.

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