Archive | November, 2014

Com um suave sabor a mel

19 Nov

Sabor a mel

aveia com mel

Acordei com fome, antes do despertador. Com uma vontade louca de comer ‘qualquer coisa doce’. Às vezes acontece-me! Muitas vezes, nos dias – e noites – de outono e inverno. De súbito, aquele desejo de comida calórica. Se calhar porque é raro fazê-lo!  A urgência dos  sabores aconchegantes, de uma papa acabada de sair do fogão ou de uma enorme caneca de chocolate preto quente, fumegante. Antes envolvo-a bem entre as mãos e aqueço os dedos. Só por um dia entre trinta, fico assim. Às vezes acontece-me! Às vezes sigo meio impulso, só um pouco mais de ‘açúcar’. Não chega a ser pecado! São dias de novembro a caminhar para o natal, frios lá fora, quentes na cozinha à volta destes pequenos-almoços coloridos, que entram também alma a dentro: os flocos de aveia cozidos com tâmaras em água, à procura de uma nota diferente. Para além dos cajus de sempre e da canela, hoje experimentei com banana e mel, um fio apenas. Um pouco mais de doce logo de manhã, a começar o dia.

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O frio das manhãs

18 Nov

Manhãs frias

Sair de casa manhã cedo. Começar o dia no ginásio. E no caminho sentir o frio das manhãs cinzentas, atravessar o jardim demorando-me entre paisagens. É verdade que não há sol, mas só facto de não chover já me deixa animada. Não porque eu não goste da chuva porque gosto, mas de uma maneira especial. Ela lá fora, eu com o nariz colado no vidro da janela da minha sala, quase pendurada nos braços da árvore. Ou a escutá-la lá fora, e eu cá dentro enroscada numa mantinha, a bebericar chá de gengibre e a ler Kundera ou Márai, Roth ou Durrel. Também gosto de manhãs cinzentas e frias que nos fazem sentir o corpo, dos pés à cabeça, e nos pintam a ponta do nariz de vermelho. Às vezes!

Sabores de outono

17 Nov

as compras

Ontem abasteci o frigorífico. Já não tinha iogurtes, acabei os queijos e o peixe. Hoje foi a vez das frutas, dos legumes e do pão. Estive quase sete dias a cometer pequenos erros alimentares, por falta de tempo de ir às compras. Também faltei ao ginásio, e não levantei os halteres que tenho em casa uma única vez. É verdade que me alonguei ao longo do dia, mas menos vezes do que preciso. Quando me sento ao computador perco a noção do tempo, à volta da escrita – a outra escrita. Apeteceu-me muitas vezes passar por aqui, mas não passei por uma ou outra razão. Também durante sete dias. Estou a recomeçar. Já fui ao ginásio, fiz o treino e uma aula de Pilates. Vou tentar voltar amanhã, reatar a frequência do costume.

Dias de chuva

10 Nov

Dias de chuva

Veio assim o outono, a sério! De um dia para o outro. Ficou frio, da noite para a madrugada. Ontem. Hoje chegou a chuva. A sério. E o nevoeiro. E a manhã foi escura. Acordei cedo. O dia voltou a começar cedo. Saio para a rua, volto a entrar em casa com dedos enregelados a pedir luvinhas de lã. Ainda que as minhas deixem as pontas livres para as urgências tecnológicas como atender um telefonema, aceder ao email, são um consolo. Apetece-me o toque da lã nas mãos! Respiro e resisto à inauguração deste aconchego viciante. Mas não  ao da mantinha pelos joelhos, enquanto me sento ao computador – a escrever. Levanto-me de duas em duas horas para descansar e fazer alguns alongamentos – prometi e estou a cumprir, cumpro sempre todas as promessas. Às vezes prolongo um pouco esse intervalo, por mais uns minutos, para olhar a vida para além da minha janela agora decorada com gotinhas muito redondas de água. Hoje, aqui a paisagem é cinzenta, líquida, entre pequenas luzes que se acendem intermitentemente. Ainda há verde nas árvores que vivem a um passo da minha janela, mas muito mais amarelo e castanho.

Aquecer a tarde

8 Nov

Doce de marmelo

Acordei muito cedo, hoje! E pouco depois estava no sofá, tabuleiro nos joelhos com um delicioso pequeno-almoço de toranja, iogurte natural e meia torrada com manteiga. Ah estes deliciosos sábados outonais, de preguiça quando não vou ao ginásio! Com a vantagem de ter a despensa e o frigorifico abastecido, saio só para comprar o Expresso – ninguém me tira o prazer de ler o jornal sujando as mãos de tinta!, já que durante a semana leio os diários online.

Vão ser dois dias de ‘reclusão’ em que vou tentar por o trabalho em dia, mas sei que vou ter de encontrar espaços para respirar e relaxar. Agendando tarefas, anoto o princípio de tarde na cozinha a fazer uma sobremesa… um bolo? Pois poucas coisas me descontraem tanto! Quatro marmelos esquecidos num cesto inspiram-me: fiz doce de marmelo, vai bem com novembro. Não se parece nada com a marmelada que a minha mãe fazia, por isso é que lhe chamo doce de marmelo, mas está ótimo para mim. É menos doce, está mais próximo da fruta [Usei 1 kg de marmelos, 800 g de açúcar e 100ml de água, cozi durante uma hora e dez minutos. a meio da cozedura reduzi o fruto a puré com a varinha mágica]

Dia de papas (de aveia, claro!)

6 Nov

Aveia papas

Há muito tempo que não falava no assunto! Porque, confesso, tenho andado a cometer alguns pecadilhos: uma torradinha com manteiga aqui, outra ali, um croissant, crepes. Quando a temperatura baixa assim, de um dia para outro, abrigo-me nestes prazeres. Até adaptar-me. Mas hoje estou de regresso às minhas papas de aveia ao almoço, para me refazer da manhã agitada – não parei! E dar-me energia para a tarde, que vai ser longa e preenchida. [Como sempre, cozi os flocos de aveia em água filtrada, com sementes de goji e tâmaras. Desta vez, juntei 1 colher de chá de farinha de alfarroba e 1 maçã ralada, com o preparado já fora do lume. Envolvo. Decorei com amoras e cajus]

Lanches que confortam

4 Nov

Crepes

Hoje é dia de mimos: estar com os amigos, namorar as montras mesmo que não compre nada, perder-me no cento de Lisboa. E já em casa ouvir música clássica enquanto trabalho, acender velas para espantar as nuvens cinzentas (que espreitam hora sim hora não pela minha janela), bebericar chá de menta e deliciar-me com uns crepes quentinhos, feitos de prepósito para um lanche confortável de novembro. Recheados com mel e canela, acompanhados com frutos do bosque e romã. Perfeitos!

As rotinas boas

3 Nov

novembro (antes da chuva)

Não gosto de fazer  sempre a mesma coisa. E ver sempre a mesma ‘paisagem’. Para fugir ao tédio de ver tudo praticamente igual à minha volta, dou um toque de novidade às coisas. Sempre que mudar o cenário depende só de mim, tenho esta estratégia simples. Em casa, jogo com almofadas e plantas, só tenho três mas mudo-as frequentemente de sítio, saltito entre os lugares do sofá, para variar vou para o chão. Nunca acendo o mesmo candeeiro dois dias seguidos, vou alternando as mantinhas. No ginásio, quem faz os meus treinos sabe bem do que estou a falar. À segunda ou terceira semana de um novo plano, superadas as dificuldades, já estou a querer outro – novinho em folha. A saída é manter-me interessada dificultado os exercícios até conseguir cumprir as seis semanas aconselhadas. Mas também tenho as minhas boas rotinas. E ir ao ginásio todos os dias úteis (também vou muitas vezes ao sábado), com mais ou menos acrescentos ao plano original, é uma das que mais preciso. Depois de quase um mês afastada, reatei esta deliciosa rotina na semana passada – em modo ‘muito cuidado, que estás em recuperação’. Mas hoje não resisti, já andei a inovar! No regresso a casa, a pé, vim registando o terceiro dia de novembro antes da chuva. Recentemente, registar os momentos tornou-se também uma boa rotina. Sem preocupações técnicas, enquanto me divertir vou eternizando os minutos.

Chegou novembro

2 Nov

Jardim Gulbenkian

Gulbenkian

À distância de pouco mais de um mês do natal, com o sol empoleirado na janela, sinto-me perdida no tempo. Por um lado adoro esta aragem quente, o toque da roupa de verão sobre a pele – a atmosfera que nos permite passear por jardins até quase ao anoitecer, como ainda ontem aconteceu através da exuberante vegetação da Gulbenkian, depois de ver uma interessante exposição de Caligrafia Japonesa. Por outro apetece-me um pouco de chuva suave, a densidade do nevoeiro a envolver as minhas manhãs cedo. Tenho saudades do cheiro da madeira queimada a sair das chaminés, de embrulhar-me em mantinhas e ficar assim, enroscada no sofá, com mãos de fora a escrever listas de gratidão… e de presentes. Apetece-me a magia do presépio, desembrulhar bolas e estrelas, começar a enfeitar a minha árvore, tecer desejos para um novo ano. Com sol e calor não é Natal, na melhor das hipóteses é Páscoa. O meu Natal é frio, com dias cinzentos ainda que não chova. Tenho medo que perca a magia, se o calor insistir agarra-se aos nossos dias, e entrar por dezembro.

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