A preto e branco

7 Jan

preto e branco

Quando sai esta manhã para a rua, por entre o frio e o nevoeiro, vi o dia a preto e branco. Assim, de repente, era como se não tivesse memória da cor. Estranho! E ao mesmo tempo maravilhoso! Lembrei-me que durante muito tempo os meus sonhos também eram a duas cores. Nos planos brancos e pretos, quase se perdia a tridimensionalidade. Mas, assim mesmo, as emoções eram fortes. Às vezes acordava leve, alegre e com um pássaro inquieto no peito. Outras, triste. E com medo. O preto e branco tem esse poder, de tornar as emoções mais violentas, de sentir mais o que nos acontece. Em sonhos ou na vida, na sucessão dos dias. Respiramos nas zonas cinzentas, descansamos no ponto onde as cores, as duas apenas, se juntam para se transformar. Sem proeminência de preto. O ataque terrorista na sede do semanário Charlie Hebdo, em Paris – o jornal que publicou caricaturas de Maomé – fazendo pelo menos 12 mortos, tornou este dia ainda mais a preto e branco, cinzento-escuro, e a emoção é de absoluta tristeza. Como jornalista que sou, este atentado à liberdade de imprensa provoca-me dupla repugnância. Eu, jornalista e leitora, sou o Charlie Hebdo.

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