Dos meus dias menos bons

14 Apr

do mar

Às vezes gostava de poder olhar o mar ao acordar. Dar-lhe as boas noites, todos os dias. E ter um jardim entre nós onde crescessem camélias e jacintos e alfazema e alecrim. E árvores redondas a fazer sombra sobre os meus dias de preguiça, perdida entre a beleza das coisas. Gostava de viver perto do mar e navegar pelas ondas com um simples olhar. Pousar a cabeça no horizonte líquido e não pensar no tempo que passa e no futuro que não chega, nas cartas que ficam sem respostas, nas possibilidades que se esgotam, no cansaço dos dias de combate sem glória.

Há dias assim, de um enorme desgosto! Que tentamos suavizar com caramelos até provocar o vómito… Convencidos que se doer o corpo talvez deixe de doer a alma! Abraçamos as pernas, posição fetal, derramamos lágrimas sobre os joelhos e provamos-lhes o sal. É a mais absoluta materialização da dor.

Quando passo curvada por estes dias, esqueço tudo. A necessidade de manter a coragem, o impulso para a alegria e a felicidade. Estou nua perante mim. Cortinas cerradas. Completamente perdida e fechada na minha mágoa. É o fim e o princípio. O desalento antes da esperança que torna os sonhos possivel.  O mais profundo momento de catarse, que me permite continuar a esperar que aconteça o melhor.

 

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