Tenho dias assim!

9 Oct
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Outono: tempo de recolhimento e introspeção

Às vezes desapareço. Tenho esta necessidade de me isolar, de me fechar no meu mundo interior. São períodos para respirar devagar, escutando os movimentos do coração. Descanso e entristeço da mesma forma: longe de gente, com o rosto pousado numa mão aberta, o meu corpo deitado de lado, os joelhos a roçar o queixo. São tempos de nostalgia os segundos, que combato afastando as sombras com a mão livre.

Preciso desaparecer por uns dias. Ciclicamente. Para fazer birra, lamber as feridas, zangar-me com Deus, recuperar forças, inspirar-me.

Cenários depurados. Eu e os livros, e a música, e as velas, e o chá quente com notas de gengibre. E a posição fetal que embala. Descanso assim agora, com o outono lá fora que convida ainda mais a este recolhimento. Repouso. Nos dias em que entristeço e fujo do mundo não há quietude. De olhos fechados – e  abertos – ensaio valsas, eu no meu isolamento cíclico. Caiu sobre os sonhos, abrindo-lhes feridas que limpo com água. Nas nódoas negras passo pomadas e nos ossos quebrados ligaduras. Danço assim dias e noites ‘a fio’. Até à expurgação!

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