Das manhãs que começam (mais ou menos) assim

16 Sep

?

O escurinho para além da minha janela é cada dia mais escuro. Acordo ao som do despertador, pisco os olhos numa tentativa inconsciente de adaptá-los à luz do exterior, mas concluo um gesto desnecessário.

Ainda é noite na estrada em frente. Na rotunda das oliveiras. Nas paredes brancas. A chuva surpreendeu duas madrugadas, mas o meu corpo ou a minha cabeça, ou ambos, ainda não se adaptaram a este lento rodar de estação. A preguiça venceu-me, não fui vê-la no seu aparato.

Não posso perder a próxima dança. O próximo canto.

De saída para o ginásio, já só apanho manhãs frescas suavemente. Manhãs de nuvens brancas no céu, como focos de luz sobre sombras negras deitadas nos prédios. Às vezes faço histórias com elas, invento personagens que nunca passam para o papel. É uma imaginação fugidia.

As tardes ainda são de sol, mas estas manhãs sopradas por um frio fininho aquietam-me a alma. Faz-se silêncio dentro de mim, apesar do barulho à minha volta!

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