Uma festa no céu!

11 Feb

a-espera-do-eclipse-2

Tenho quatro janelas generosas banhadas sempre de luz. Nos dias de verão, atravessadas pelo sol quase desde que nasce até que se põe, trazem-me calor e alento ao deixarem-se atravessar assim. E à noite permitem-me ver as fases da lua, quase desde o primeiro momento. Com um simples debruçar. Todas exceto a lua cheia. É o meu desgosto!

É preciso esperar até às 23. 30horas para vê-la começar a desenhar-se sobre a minha cabeça, ultrapassando o telhado do prédio.

Por isso, e porque ontem à noite haviam-me prometido um pequeno eclipse (penumbral) previsto começar às 22.30 horas com a lua a entrar na penumbra, andei num reboliço de sobe e desce, do apartamento para a rua e da rua para o pequeno apartamento. Uma excitação, o coração a bater.

Não encontrei ninguém cá fora. Estava sozinha na aventura, o que ajudava a sentir-me especial

A noite estava fria. Sentia muito frio, apesar dos agasalhos e da comoção.

O tempo passava. Por volta das 23.15 eu continuava na expetativa de testemunhar a beleza do eclipse, e a lua continuava na mesma: redondinha, envolvida não em sombra mas numa espécie de nevoeiro. E eu comecei a entristecer.

Talvez mais tarde quem sabe, ultrapassado o telhado ela se guarde em sossego e penumbra para eu a ver da minha janela!? Convenço-me otimista. Mitigo a ansiedade.

Às 23.45, e a lua já tinha praticamente transposto o telhado, esgueirei-me um pouco numa das janelas e ficamos quase olhos nos olhos. Eu de cabeça para o céu, a lua coberta de pó-de-arroz. A continuar assim não aguentaria a frustração!

Pensei desistir, ir dormir… Mas nestas coisas da Natureza e do firmamento sou profundamente persistente. É um amor que só vale a pena, traz-me muitas alegrias. E à meia-noite e um quarto aconteceu, julguei ver a lua escurecer na sua passagem pela sombra da terra. Um alvoroço!

Depois aquietei-me. Depois adormeci com aquela sensação de ter presenciado ou imaginado algo sublime. E depois acordei à 2.30 horas, sem despertador, para não tirar os olhos do céu mais uma vez.

Eu sabia que só com um telescópio ou binóculo era possível ver o cometa de cauda verde que cruzaria o céu noturno por essa altura, e eu não tenho nem uma coisa nem outra, mas mesmo assim insisti em estar acordada. Olhos bem abertos e mãos estendidas, de novo cheia de emoção. A sentir-lhe a energia! ♥♥♥

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