Archive | October, 2018

8 de outubro, do diário ‘Dos dias do fim’

9 Oct

Exposição Pós Pop

Ainda de Lisboa, da Exposição Pós-Pop

O passar dos dias traz-me menos ar para respirar. A estrada estreita-se. As horas seguintes não trazem novidades.  Não chegam notícias, nem de longe nem de perto, que me aqueçam a alma. Agucem a mente. Estimulem o corpo.

Tenho saudades dos artigos que ficaram por fazer. Das aulas por dar. Da minha cozinha virada para o sol logo nas primeiras horas da manhã, e eu ao balcão a comer papas de aveia hora e meia antes de ir para o ginásio. Ou de apanhar o metro para o Cais do Sodré, e depois seguir para Alcântara.

Tenho saudades de Lisboa assombrada pela poluição. Do rio para os lados da Ribeira das Naus. Do cheiro da cidade para os lados da Mouraria (de beber um copo de rosé com a Tânia, ao fim da tarde). E da minha Carnide ao sol e à chuva (este amor que nunca vai morrer!).

Tenho saudades da Vera (companheira das exposições na Gulbenkian, dos gelados na Gulbenkian, dos chás na Gulbenkian, das conversas sobre exposições, cinema e livros), tenho saudades da Tânia, e da Mariza, e da Pilar – das idas ao cinema com elas, à praia, às compras. Tenho saudades dos amigos que de repente ficaram longe (em geografia). Da malta do ginásio. De mim. Tenho saudades de mim!

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Primeira semana de outubro

7 Oct

atravessar a floresta

Sétimo dia de outubro. Sete dias de um novo mês. As manhãs refrescaram. As madrugadas convidam-me a fechar a janela e aconchegar o lençol ao queixo. Um friozinho atrevido entra no meu quarto adentro. Arrebatador, marcando presença. Impetuoso, temperamental.

As noites refrescaram. Cada dia mais cedo, mal nasce a lua. Segunda, terça, quarta-feira… é outubro a entrar por a minha vida adentro. E a mudar a paisagem lá fora: as folhas da parreira ficaram cor de fogo; de manhã, a salsa ainda concentra a presença do orvalho noturno.

Mas entre uma coisa e outra, os dias são quentes. Ainda. Dias cheios de preguiça ao sol, espreguiçando-se com braços invisíveis no muro branco de cal, no quintal da casa. E a uma distância confortável da janela do meu quarto, um cuco continua a cantar até o entardecer.

Distrai-me o seu canto repetitivo. Enlouquece-me o seu canto repetitivo. Tantas vezes dou por mim perdida! Incapaz de traduzir a linguagem deste lugar.

E caminho assim, a este ritmo cheio de contrastes. De amanhã à procura da tarde, neste labirinto de sinais e emoções, na esperança de um outono cheio de surpresas boas. E se elas não vierem, ao menos terei a chuva e as trovoadas para me entreter e inspirar. E, com um pouco de sorte, talvez até possa ser mais criativa! E, então, valerá a pena todas as tempestades.

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