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Começar de novo

16 Sep

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Há dias, num daqueles em que me dá para esmiuçar tudo, dei-me conta do quanto pode ser absolutamente sedutora esta possibilidade de recomeçar.

Renovar a vida, ter novas experiências. Como pode não ser tentadora? Claro que é, e isso enche-nos de esperança e de otimismo, de alegria e excitação.

E ao mesmo tempo, sejamos francos, é tão inquietante. Sentimos (tanto) medo desse desconhecido que nos espera.

Por outro lado, recomeçar significa que o que tínhamos acabou, esgotou-se. E nesse sentido é desagradável, pois pomos em causa o nosso valor – a nossa capacidade de empenhamento e envolvimento.

De todas as ruturas ou perdas que nos obrigam a novos começos, provavelmente a separação ou divórcio e o desemprego são as que mais interferem com o nosso brio – pessoal e profissional. No limite, sentimos vergonha.

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Mesmo que no lugar dos segredos bem guardados, tivéssemos desejado o fim dessa relação, por já não nos realizar e ou fazer feliz, não conseguimos evitar estes sentimentos.

Como diz a psicóloga clínica Ana Almeida (com quem voltarei a falar neste assunto brevemente) “são situações da vida (life events) de grande magnitude, e com forte impacto emocional, geradoras de níveis de stress muito elevados”.

Perante o vazio provocado pelo divórcio e pelo desemprego, sentimos muitas vezes a nossa inutilidade, a nossa frustração. Mas também a possibilidade de nos reinventarmos para novas relações que possam finalmente preencher-nos.

Mas entre uma coisa e outra, é preciso prepararmo-nos. Sobretudo dentro de nós próprios. Consertar os cacos, exorcizar os ‘demónios’, perder os tais medos de voltar a tentar, de recomeçar.

Umas pessoas levam mais tempo do que outras a fazê-lo. Mas todas passam (ou é suposto pasarem) por várias fases, ‘dançando’ entre o amor e a raiva. Tudo isso é normal, diz quem sabe.

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Aumente o seu bem-estar

28 Aug

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Está tudo interligado, na perspetiva da Psicologia Positiva. A positividade com maiores níveis de bem-estar, e estes com a serenidade, a esperança e o otimismo relativamente ao futuro.

Dito de outra forma, quando experimentamos bons níveis de bem-estar sentimo-nos mais tranquilos e mantemo-nos confiantes face ao tempo que está para vir.

Pelo menos é o que garante a psicóloga e terapeuta familiar Catarina Rivero, explicando que é possível isso acontecer “mesmo que não estejamos sempre a viver emoções positivas”.

Trabalhar ao nível do nosso bem-estar aumentando-o deve ser, por isso, uma prioridade. O caminho. A psicóloga diz que é uma tarefa que envolve cinco níveis, e que “quando eles se encontram em harmonia a positividade acontece” mais facilmente.

A pessoa fica com “maior capacidade de relacionar-se com os outros e mais otimista na sua vida individual e coletiva”. O que fazer, então, na prática?

• Cultive emoções positivas: (alegria, amor, prazer, otimismo, sentido de humor) numa proporção de três emoções positivas para cada emoção negativa. “Quando experimentamos mais emoções positivas, estamos mais aptos e encontrar soluções para os problemas. Ficamos mais criativos”.

• Envolva-se: quanto mais envolvidos nas tarefas e rotinas estamos menos tempo ficamos a ‘ruminar’. Sentimos que somos úteis e desenvolvemos a nossa criatividade.

• Encontre sentido para a vida: as pessoas que sentem que pertencem a algo maior que a sua existência, que têm um propósito, tem maiores níveis de bem-estar (ele é encontrado de formas diversas, como através do ativismo social e/ou político, participação cívica, apoio a familiares, religião).

• Realize-se: definir objetivos próprios, tangíveis, e alcançá-los é algo muito referido por pessoas com maiores níveis de bem-estar. Portanto, faça como elas, comece a criar os seus.

• Crie e mantenha relações positivas: manter relações gratificantes contribui fortemente para o bem-estar, cultivando a capacidade de dar, estar, perdoar e agradecer.

Compreender, aceitar, perdoar

26 Aug

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Há dias li uma frase de um qualquer pensador numa rede social que apresentava esta trilogia como essencial às nossas vidas. Uma sequência de capacidades em ordem que se propõe participar no nosso equilíbrio emocional.

Há quem duvide. E quem admita, como uma amiga minha: “eu até compreendo, o difícil é perdoar”.

Também eu já pensei como ela. Agora tento manter o meu equilíbrio resolvendo esta “tríade emocional para alcançar harmonia e bem-estar”.  É fácil? Não, não é. De acordo a psicóloga e terapeuta familiar Rita Duarte, é mesmo uma das “mais complexas e desafiantes” solicitações.

Compreender, aceitar, perdoar. O que as faz determinantes ao nosso equilíbrio psicológico, diz, “é o facto de estarem interligadas nos confrontos que vamos tendo ao longo da vida” – connosco e com os outros – “e porque as três nascem de choques emocionais que abanam aquilo que sentíamos e expectávamos”

Rita Duarte coloca a capacidade de ‘compreender’ no cimo da trilogia. Esclarece que embora pareça estar ligada à razão, “o que a sustenta é a competência para nos mobilizarmos e colocarmos no lugar do outro. Ou noutro lugar de nós próprios

Implica abertura. E é o único caminho que nos permite chegar às razões por trás do comportamento (que nos humilhou ou prejudicou de alguma forma) e, posteriormente, “cruzar essa informação com aquilo que esperávamos, desejávamos

Deste movimento nasce a aceitação. Ou não.

Negociamos a partir do quanto nos sentimos “ofendidos, descuidados, desprotegidos, humilhados” e do que do outro lado existir como “explicação relativamente ao que nos fez”.

A partir da compreensão e da aceitação que sentimos, e que o outro sente acerca da nossa posição, “torna-se claro que aquele assunto deve ser deixado ir”, garante a psicóloga

Perdoar é deixar ir, sublinha. É vermo-nos livres do peso emocional daquilo que nos magoou. E fazemo-lo em primeiro lugar por nós próprios.

Linguagem positiva

19 Aug

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Existe mesmo uma forte relação entre a forma como comunicamos e a qualidade das nossas relações. Pelo menos, esta é a conclusão de estudos na área da comunicação.

Posto isto, é possível dizer que o uso da “linguagem positiva é promotora de relações por sua vez positivas”, observa Catarina Rivero, psicóloga, coautora do livro Positivamente (Esfera dos livros).

Comunicar pela positiva é centrarmo-nos nos aspetos positivos, ter facilidade de elogiar e agradecer, explica, acrescentando que neste tipo de comunicação há espaço para o humor positivo: “rir com…”

Utilizando a tipologia proposta por alguns autores de que “as interações comunicacionais podem ser ativas ou passivas, e construtivas ou destrutivas, consoante a dinâmica entre os seus intervenientes”, a psicóloga diz que é a “comunicação ativo-construtiva a que mais se faz sentir em dinâmicas gratificantes para todos eles”

Como definir este discurso? Envolve alegria pelas vitórias do outro e reforço pela positiva. Neste contexto, a resposta de um homem à mulher que chega a casa e partilha com ele a felicidade de ter sido promovida será deste tipo: “ ‘Boa! Temos de celebrar! Tu mereces! És uma excelente profissional!’”.

De qualquer forma, as diferentes interações estão presentes em qualquer dinâmica relacional. O que faz a diferença é a predominância de uma.

Mas a importância do uso da linguagem positiva não se esgota na relação com o outro. É também essencial manter uma “linguagem positiva no nosso diálogo interno”, assegura Catarina Rivero.

Como? Cultivando o otimismo, que ajudará na motivação e realização de objetivos. Exemplifica: “face a um desafio, dizendo a nós próprios que temos competências suficientes para o superar, reconhecendo que só depende de nós, pelo que só temos que nos esforçar”.

Pensar positivo ou viver positivamente?

12 Aug

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Gosto da palavra positivo(a). Associo-a a esperança e a força. Mas sempre que ela me surge no contexto do ‘pensamento positivo’ como algo que deve prevalecer perante as adversidades da vida, e mais nada, atrevo-me a dizer que desconfio.

Afinal, o que há de verdade nesta teoria que nos apresenta o ‘pensar positivo’ como remédio para todos os males?

A psicóloga Catarina Rivero diz que a Psicologia Positiva “tem vindo a demarcar-se da lógica do pensamento positivo associado a uma filosofia que vê só o que é bom e nega o lado negativo”, colocando a ênfase no que considera um “estado de positividade. Que, mais do que pensar positivo, se associa a um elevado nível de bem-estar experimentado pelos indivíduos”.

O que, acrescenta, está diretamente relacionado com o experienciar emoções positivas e fluir (capacidade da pessoa se envolver nas atividades que tem entre mãos), realizar objetivos e criar e manter relações positivas, e ter um sentido para a vida (sentir que a vida tem um significado).

Mas também com o saber gerir as emoções negativas, lidando e crescendo com a adversidade. Sem deixar de cultivar a esperança e o otimismo.

As pessoas com maiores níveis de bem-estar subjetivo têm este perfil. E de acordo com os estudos, “ganhos nas suas relações sociais, são mais flexíveis, mais resilientes (com maior capacidade de lidar e crescer com a adversidade), são mais cooperantes e generosas e tendem a cuidar mais da sua saúde”.

E os outros consideram-nas ‘positivas’ ou afáveis, observa ainda Catarina Rivero, concluindo que “quando temos maiores níveis de bem-estar, mesmo que nem sempre a viver emoções positivas, há uma maior serenidade, esperança e otimismo face ao futuro”.

Diponível para o romance

31 Jul

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Diz-se que o verão é tempo de paixões. À luz dos dias longos e quentes, tendemos a caminhar ao encontro do outro, e com ele viver encontros de namoro – e sexo – que podem transformar-se em relações de amor. Ou não.

Mas também ninguém está muito interessado no futuro das relações ao sol – que se esgotem na estação ou sejam eternas enquanto durem. E quase toda a gente sonha é vivê-las, pelo menos uma vez. No final da adolescência, a experiencia é mesmo assumida como ritual de passagem.

As questões ficam para quem observa estes amores, independentemente de ter tido um ou não. Será o sol ou o calor que nos deixa neste estado, com as emoções e impulsos à flor da pele? A luz que nos amplia este estado de atração e o desejo?

Para a sexóloga Renata Chaleira é mais seguro dizer que as relações sexuais aumentam nesta altura porque os encontros entre as pessoas  acontecem mais”. Em tempo de férias há mais tempo livre, estamos mais disponíveis para atividades lúdicas e prazenteiras, e “temos menos níveis de stress e de ansiedade”.

Para além deste efeito de mera exposição, há ainda o facto de andarmos mais desnudados e isso despertar claramente o desejo. “Vestimos menos roupa e esta deixa adivinhar as formas dos corpos mais bronzeados”. Estão reunidos todos os “fatores para um encontro sexual, sensual ou relacional”.

De todos os sentidos, a visão tem o papel privilegiado. Escolhemos olhando. “À partida procuramos alguém que seja atraente aos nossos padrões físicos”, comenta a sexóloga, explicando que as regras do jogo podem, no entanto, mudar de acordo com o que se procura: um caso para uma noite, ou uma relação para férias que já contém uma pequenina semente de esperança que possa transformar-se em relação de amor.

9 Passos para gerir o stresse

8 Jul

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Falta de paciência e irritabilidade, dificuldade de atenção e de concentração, perturbações de memória e de sono, e pensamentos ruminantes. Eis alguns dos sinais de stresse.

Quando estas campainhas tocam é o limite. É preciso agir, diz a psicóloga Ana Almeida, deixando alguns conselhos fáceis de introduzir na nossa rotina diária, e que gradualmente podem levar a uma mudança de estilo de vida. Eu já comecei a dar estes passos. Quer acompanhar-me?

• Cada um deve descobrir os seus fatores de stresse, e a partir daí evitá-los.

• Estar atento ao que o relaxa – andar a pé, um banho de imersão? Seja o que for, faça-o mais vezes.

• Aprender a respirar. Fazer respiração profunda e prolongada, meditação e ioga.

Perceber a tempo que está a ficar stressado (a) – normalmente a respiração fica superficial, há tendência a falar de forma acelerada, e a ficar crispado –, e controlar a situação.

• Para o efeito inspire fundo, retendo o ar durante uns segundos, e depois expire (solte o ar) lentamente. Repita o exercício tantas vezes quantas forem necessárias até acalmar.

Fazer exercício físico.

Definir objetivos realistas e não deixar que os pensamentos se atropelem.

Abrandar o ritmo de vida.

Divertir-se e distrair-se.

• Ter uma alimentação equilibrada. Excesso de álcool e de açúcar podem deixar o organismo sobre stresse.

Viver o presente.

Stresse: a resposta a situações de ameaça

24 Jun

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Há dias acordei com aqueles sintomas evidentes de stresse: frio na barriga, borboletas no estômago. Conheço bem esta sensação que muitas vezes já me deixou apreensiva perante um problema, em alguns momentos com uma enorme vontade de fugir dele, mas que agora fazia-me reagir com um claro instinto de luta. Apesar de experimentar uma certa dose de medo, sentia-me corajosa.

É precisamente assim a ‘matéria’ do stresse, diz-me a psicóloga Ana Almeida, diretora da Clínica Psicronos. Em teoria, “é a resposta natural do organismo a situações de ameaça”, e sempre que uma pessoa identifica este tipo de situações ameaçadoras, “o organismo prepara-se para uma resposta”, que pode ser de luta ou de fuga, “desencadeando uma série de reações bioquímicas”.

Uma delas é a produção de adrenalina (medo), e a combinação de todas “torna o corpo mais eficiente para responder de forma rápida e intensa”.

Mas, na prática há pessoas que veem ameaças em situações perfeitamente comuns. Outras assustam-se com os próprios pensamentos. Quem tem este tipo de perfil tende a sofrer por antecedência. E, assim sendo, o medo de vir a ser assaltado na rua, por exemplo, pode ser gerador de muito stresse.

Quando alguém “está exposto a situações de stresse tende a ficar num estado emocional de hipervigilância, tensa e alerta, e vê os acontecimentos como ameaçadores”. Mas os acontecimentos não são maus nem bons, é a forma como os percecionamos e classificamos que os torna uma coisa ou outra, garante a psicóloga.

Seja como for nem tudo está perdido. Há um lado bom no stresse: na dose certa, “ele coloca o organismo e a mente vigilantes, dando a energia necessária para enfrentar os desafios que a vida vai colocando”.

Pelo contrário, o relaxamento excessivo “pode levar à indolência e à inatividade”. Posto isto, o desafio pode ser mesmo conseguirmos manter o nível de stresse na medida certa! Vai tentar manter o seu?

Viver as emoções

17 Jun

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É claro que é bom sorrir! E sentir amor por alguém. Ou por algo. Sorrir é sinal de alegria e um ótimo remédio para manter longe a depressão, o que, por si só, serviria para fazer-nos sorrir mais vezes. Mas a verdade é que também precisamos dos nossos momentos de dor, de sentir tristeza e chorar. Sem que isso seja uma tragédia. E sem termos que sentir vergonha por isso.

Eu falo por mim que sou alegre e gosto de rir, mas aprendi a não me privar de umas boas lágrimas e viver a minha dose de tristeza quando a ‘vida’ me prega uma partida. Ou sempre que me emociono com um gesto autêntico.

Os especialistas chamam a isto ter capacidade de nos emocionarmos e esclarecem que é bom tê-la. Não só é benéfico, como “é essencial, vital e adaptativo”, garante a psicoterapeuta e mediadora familiar Rita Duarte, explicando que em termos evolutivos, as emoções surgem mesmo antes do pensamento.

Explica ainda que na perspetiva da inteligência emocional, o uso das emoções como guia conduz-nos à satisfação das necessidades. “As emoções indicam-nos o que está a acontecer connosco na relação com o mundo interior e exterior, mobilizando-nos, ou não, para responder”. Por isso, podemos dizer que são essencialmente comunicação connosco próprios. “Fazem-nos sentir vivos e, sobretudo, dão-nos sentido de coerência”.

Mas apesar de todas estas vantagens, nem sempre conseguimos descodificar as sensações do nosso corpo e traduzi-las em emoções. A ‘culpa’ é da “variedade de experiências que cada pessoa tem, e da forma como aprendeu a lê-las interiormente”

E, em alguns casos, da educação que recebeu. Quando esta foi castradora relativamente a viver algumas emoções como a zanga e a tristeza, por exemplo. Ao contrário do que por vezes nos é ensinado, “é altamente adaptativo senti-las nas suas formas primárias”, que é o mesmo que dizer “quando não resultam de qualquer consequência das emoções primárias ou de aprendizagens para influenciar ou manipular os outros”.

As emoções são movimentos de energia e, como tal, não devem ser negadas. Até mesmo para que “não se transformem em fantasmas permanentes”! Eu não nego as minhas!

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