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Amar outra vez!

7 Oct

novo amor recortado

Uns duvidam. Outros acreditam que há amor depois do amor. Que é possível amar uma segunda (e uma terceira) pessoa, por mais ‘traumática’ que a primeira relação tenha sido. Ou o fim dela.

Mas mesmo os que acreditam na possibilidade de uma segunda história de amor, não estão livres de sentir medo. Têm medo de voltar a sofrer.

É natural. A psicóloga Ana Almeida explica que muitas vezes este medo permanece durante muito tempo. Mas à medida que a dor diminui, aumenta a vontade de arriscar. Volta-se a ter esperança e confiança que na próxima vez vai ser melhor

“Aprendemos com a experiência, e a vida vai-nos dando diversas oportunidades para vivermos cada vez melhor. Isto é, com menos sofrimento.”

Dificilmente se parte para a nova relação sem os ‘fantasmas do passado’. É verdade! Mas “não é limpo que se deve estar”, garante a psicóloga Antes conscientes do que se traz na mochila das relações anteriores”.

Deve-se aprender com a experiência, diz, e todas as relações anteriores podem “contribuir para que a próxima seja melhor, mais cuidada, mais trabalhada, mais investida”.

Quanto aos  ‘fantasmas do passado’, que podem prejudicar a nova relação,  aconselha que “devam ser falados e desmistificados” no seio da mesma.

Viver o presente é essencial, estando conscientes das expetativas e desses fantasmas do passado. E uma nova relação é uma nova oportunidade “para sermos mais quem somos e nos superarmos”, conclui Ana Almeida.

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Notas de outono e a minha mãe

14 Sep

rosa - Cópia recortada

Hoje há qualquer coisa no ar. Ainda é muito subtil, mas ‘anda por aí’: uma luz menos intensa, um cheiro de passagem de estação que me faz apetecer ir para a cozinha fazer compota de ameixa, biscoitos e bolinhos de mel.

Tenho rituais para acolher as estações que aprendi com a minha mãe. E tal como ela, os melhores celebram a primavera e o outono.

Juntas, costumávamos fazer passeios pelos campos, quando os dias começavam a crescer. “O Alentejo é mais bonito nesta altura”, dizia-me ela – a madeirense que nunca perdeu as raízes e vivia com saudades do mar.

No outono íamos as duas para a cozinha, onde ela juntava o melhor das duas regiões inventando bolinhos que misturavam mel, café e especiarias. Comecei por lamber a taça onde restava sempre uma generosa porção de massa dourada, como criança que era. Mais tarde fiz todas aquelas receitas.

Não me lembro da primeira vez que ela colocou nas minhas mãos o pequeno bolinho cozido numa forma própria, especialmente para mim. Mas lembro-me da última: eu já tinha 30 anos!

Ah, como eu me sentia uma criança orgulhosa de ter um amor assim para mim. Dos gestos que me diziam “gosto de ti”.

Hoje vou celebrar estas notas de outono, que fizeram com que tu ainda estivesses mais presente, mãe. Vou fazer uma compota de ameixa, onde possa continuar a sentir a acidez do fruto.

E a ti, que  fazias crescer flores entre o xisto, deixo uma rosa.

Diponível para o romance

31 Jul

sol 1 cortada

Diz-se que o verão é tempo de paixões. À luz dos dias longos e quentes, tendemos a caminhar ao encontro do outro, e com ele viver encontros de namoro – e sexo – que podem transformar-se em relações de amor. Ou não.

Mas também ninguém está muito interessado no futuro das relações ao sol – que se esgotem na estação ou sejam eternas enquanto durem. E quase toda a gente sonha é vivê-las, pelo menos uma vez. No final da adolescência, a experiencia é mesmo assumida como ritual de passagem.

As questões ficam para quem observa estes amores, independentemente de ter tido um ou não. Será o sol ou o calor que nos deixa neste estado, com as emoções e impulsos à flor da pele? A luz que nos amplia este estado de atração e o desejo?

Para a sexóloga Renata Chaleira é mais seguro dizer que as relações sexuais aumentam nesta altura porque os encontros entre as pessoas  acontecem mais”. Em tempo de férias há mais tempo livre, estamos mais disponíveis para atividades lúdicas e prazenteiras, e “temos menos níveis de stress e de ansiedade”.

Para além deste efeito de mera exposição, há ainda o facto de andarmos mais desnudados e isso despertar claramente o desejo. “Vestimos menos roupa e esta deixa adivinhar as formas dos corpos mais bronzeados”. Estão reunidos todos os “fatores para um encontro sexual, sensual ou relacional”.

De todos os sentidos, a visão tem o papel privilegiado. Escolhemos olhando. “À partida procuramos alguém que seja atraente aos nossos padrões físicos”, comenta a sexóloga, explicando que as regras do jogo podem, no entanto, mudar de acordo com o que se procura: um caso para uma noite, ou uma relação para férias que já contém uma pequenina semente de esperança que possa transformar-se em relação de amor.

Amor, amizade e sexo

4 Jul

roth recortado

Eis a grande trilogia deste livro de Philipe Roth, que fala também de família. “O animal moribundo” não foi lançado recentemente. Bem pelo contrário, foi escrito em 2001, chegou-nos em 2006, mas como qualquer bom título apetece ler e reler sempre.

É romance de excelente qualidade, narrado por David Kepesh, um dos alter-egos de Philip Roth, em forma de um intenso monólogo.

David é um ‘libertino’ académico “vulnerável à beleza feminina” que, no início de cada ano letivo, seleciona uma das suas alunas com quem irá ter uma relação, depois de completado o exame final e conhecidos os resultados.

Tudo corre segundo os planos e sem beliscar a tranquilidade do dito professor até ele eleger Consuela Castillo, 24 anos, a americana-cubana que lhe irá trocar as regras do jogo, ao assumir desde a primeira hora que a relação entre ambos será apenas sexual.

E ele, que nunca quisera outra coisa, de repente vê-se atormentado pelo ciúme. Perde a confiança e a segurança, passa a ter medo de perdê-la. Um ano e meio depois, ela termina a relação bruscamente. Separam-se. Mas a história não acaba.

Eu ainda não sei como vai ser esse fim pois ainda não cheguei à última página, mas não resisti a convidá-las (os) a ler este livro, editado pela Leya numa coleção muito prática, feitinha à medida de quem gosta de ler.

Confesso que esta é a primeira obra que leio de Philip Roth, mas já me rendi à escrita elegante do romancista norte-americano de origem judaica – que aqui investiga o tema da revolução sexual. E, por isso, já comprei mais uma. Desta vez é O Complexo de Portnoy.

Viver as emoções

17 Jun

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É claro que é bom sorrir! E sentir amor por alguém. Ou por algo. Sorrir é sinal de alegria e um ótimo remédio para manter longe a depressão, o que, por si só, serviria para fazer-nos sorrir mais vezes. Mas a verdade é que também precisamos dos nossos momentos de dor, de sentir tristeza e chorar. Sem que isso seja uma tragédia. E sem termos que sentir vergonha por isso.

Eu falo por mim que sou alegre e gosto de rir, mas aprendi a não me privar de umas boas lágrimas e viver a minha dose de tristeza quando a ‘vida’ me prega uma partida. Ou sempre que me emociono com um gesto autêntico.

Os especialistas chamam a isto ter capacidade de nos emocionarmos e esclarecem que é bom tê-la. Não só é benéfico, como “é essencial, vital e adaptativo”, garante a psicoterapeuta e mediadora familiar Rita Duarte, explicando que em termos evolutivos, as emoções surgem mesmo antes do pensamento.

Explica ainda que na perspetiva da inteligência emocional, o uso das emoções como guia conduz-nos à satisfação das necessidades. “As emoções indicam-nos o que está a acontecer connosco na relação com o mundo interior e exterior, mobilizando-nos, ou não, para responder”. Por isso, podemos dizer que são essencialmente comunicação connosco próprios. “Fazem-nos sentir vivos e, sobretudo, dão-nos sentido de coerência”.

Mas apesar de todas estas vantagens, nem sempre conseguimos descodificar as sensações do nosso corpo e traduzi-las em emoções. A ‘culpa’ é da “variedade de experiências que cada pessoa tem, e da forma como aprendeu a lê-las interiormente”

E, em alguns casos, da educação que recebeu. Quando esta foi castradora relativamente a viver algumas emoções como a zanga e a tristeza, por exemplo. Ao contrário do que por vezes nos é ensinado, “é altamente adaptativo senti-las nas suas formas primárias”, que é o mesmo que dizer “quando não resultam de qualquer consequência das emoções primárias ou de aprendizagens para influenciar ou manipular os outros”.

As emoções são movimentos de energia e, como tal, não devem ser negadas. Até mesmo para que “não se transformem em fantasmas permanentes”! Eu não nego as minhas!

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