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8 de outubro, do diário ‘Dos dias do fim’

9 Oct

Exposição Pós Pop

Ainda de Lisboa, da Exposição Pós-Pop

O passar dos dias traz-me menos ar para respirar. A estrada estreita-se. As horas seguintes não trazem novidades.  Não chegam notícias, nem de longe nem de perto, que me aqueçam a alma. Agucem a mente. Estimulem o corpo.

Tenho saudades dos artigos que ficaram por fazer. Das aulas por dar. Da minha cozinha virada para o sol logo nas primeiras horas da manhã, e eu ao balcão a comer papas de aveia hora e meia antes de ir para o ginásio. Ou de apanhar o metro para o Cais do Sodré, e depois seguir para Alcântara.

Tenho saudades de Lisboa assombrada pela poluição. Do rio para os lados da Ribeira das Naus. Do cheiro da cidade para os lados da Mouraria (de beber um copo de rosé com a Tânia, ao fim da tarde). E da minha Carnide ao sol e à chuva (este amor que nunca vai morrer!).

Tenho saudades da Vera (companheira das exposições na Gulbenkian, dos gelados na Gulbenkian, dos chás na Gulbenkian, das conversas sobre exposições, cinema e livros), tenho saudades da Tânia, e da Mariza, e da Pilar – das idas ao cinema com elas, à praia, às compras. Tenho saudades dos amigos que de repente ficaram longe (em geografia). Da malta do ginásio. De mim. Tenho saudades de mim!

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Do outono que tarda

30 Sep

mar desejado

Onde quer que esteja, faz-me falta as estações bem demarcadas: primaveras com a vida a nascer; outonos com rituais de recolhimento e tardes frescas a apetecer o casaquinho com mangas bem compridas a roçar o anel; verões quentes para ficar perto do mar, pé na areia, corpo ao sol; invernos frios e secos, com chuva nos fins de semana – para, em momentos de tédio ou numa tentativa de exercitar o não pensar em nada, contar as gotas de água que caiem no vidro e criam quadros abstratos que logo se diluem.

Fico presa à fluidez da matéria, às vezes. Acabo presa a reflexões filosóficas ‘caseiras’, outras vezes. À volta da chuva dos dias de inverno! Às vezes apetece-me escrever. Outras ir para a cozinha fazer bolachas de gengibre. Bebericar chá, chocolate quente, ou um copo de vinho tinto. Com ou sem mantinha nos joelhos.

Onde quer que esteja, faz-me falta as estações bem definidas que mudam a intensidade da luz dos dias. Que fazem aparecer e desparecer o sol. Que espalham o vento. Que mudam a cor do céu e, às vezes, se apropriam dele montando espetáculos de luz e som.

Gosto das grandes trovoadas que se fazem anunciar com relâmpagos vermelhos. Das estações bem demarcadas, evoluindo com encantamentos. Seduzindo-me com feitiços. E eu deixando-me seduzir.

Amanhã é o primeiro dia de outubro. E o outono que tarda! Se ao menos (eu) continuasse a viver perto do mar, talvez pudesse mergulhar nos prazeres de um pouco mais de verão! Neste mar imenso da fotografia.

Procuro sentidos

25 Sep

noite com lua cheia

Ainda confusa com tudo à minha volta. As dificuldades de (re)adaptação. A tudo. A todos. Ao calor.  À aridez.  A mim aqui, que tem de ser diferente – e já é – de mim lá. No lugar onde fui feliz, mesmo nos dias em que o não fui!  Ainda confusa. Dividida entre vontades. O coração e a cabeça.

A dor maior já passou. Agora o pesar ondula como os montes no fio do horizonte, para lá do rio. Umas vezes, uma nova vida feliz parece possível. Outras vezes vai-se tudo, tudo é escuridão. E lá vou eu outra vez, vezes sem conta, a subir e a descer este carrossel de esperança/desesperança.

Tento criar-me. E criar a partir deste caos. Recuperar a criatividade perdida. Mas até ela deixou de responder à minha voz, às vezes! Outra, é verdade, quase damos as mãos. Mas ainda não chegámos lá. Ainda não recuperámos aquele intimismo antigo, de olho no olho, que dava vida às palavras.

E neste ondular vou procurando sentidos. O sentido da minha vida agora, neste lugar. E enquanto não o encontro, vou encontrando momentos de equilíbrio. Vou respirando e alcançando paz nos fins de tarde, nos crepúsculos magníficos, no céu cheio de estrelas e nas fases da lua. Ontem à noite, sobre o meu telhado, descobri Saturno em Sagitário. Horas antes, à saída do ginásio – na noite de princípio de outono que já tinha caído –, testemunhei o nascer da lua cheia, a lua fabulosa da fotografia.

Da falta de inspiração

16 Sep

limoeiro

Agora falta-me a inspiração! Vivemos apartadas há longos meses, apesar da dor. Foi-se dissolvendo nela, a inspiração na dor, num movimento contrário do natural – há quem se sinta mais inspirado em sofrimento, e eu já tive fases dessas.

Sentia-a fugir um dia atrás do outro, tudo começou há muitos meses. Ao princípio eram momentos espaçados no tempo, um subir e descer de montanha, lentamente nos dois sentidos. Depois foi vertigem. E deixei-me arrastar sem inspiração, da escrita à cozinha.

Com cálculos puramente matemáticos, tecendo os dias. Racionalizei tudo. Não fiz o que quer que fosse para impedir esse curso de objetividade. E numa daquelas voltas na vida que eu não quis, fiquei amputada de asas que criam castelos.

E agora falta-me a inspiração!

Falta-me a inspiração, mas estou noutro estágio (do luto): algures entre a negociação (concentro-me em eventuais ganhos?!) e a prostração (falta-me esperança e tenho medo), num lugar frio e ventoso, incerto e devorador, no entanto, ao mesmo tempo, cheio de possibilidades criativas.

Afinal, também há dias assim. Dias em que eu sou capaz de acreditar.

Dias do princípio de abril

7 Apr

Do Jardim da Luz à Quinta dos Inglesinhos

Às vezes sou um pouco ‘bichinho’? Prefiro acreditar que sou de luasContinue reading

Bom dia, sábado de março!

25 Mar

Bom dia sábado de março, o último de março! É mais um mês quase a chegar ao fim. Continue reading

Respirar. Uma vez e outra

14 Mar

Manhã para respirar devagar

Às vezes basta isto: respirar profundamente mas  devagar sentindo cada respiração no corpo que se transforma às entradas e saídas do ar sucessivas. Continue reading

Março em Mértola

13 Mar

Mértola mágica percorre agora os caminhos da primavera no canto dos pássaros e no cheiro das flores. Continue reading

Dias a preto e branco

5 Mar
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Domingos a duas cores

Domingo adentro cheio de inverno. Na cor do dia: cinzento, apesar de uma ou outra tentativa tímida de sol. Continue reading

O regresso da chuva

3 Mar

dias-de-chuva

Não apetece! Já não me apetece estes dias tão molhados. Cinzentos. E frios. E tristes. Continue reading

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