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Bom dia, ano novo. Boa noite, ano novo

1 Jan

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Tão janeiro! Um frio diferente. Seco e profundo, fininho a roçar os ossos. Mal o senti no nariz quando pus a cabeça lá fora, para lá da janela, tive vontade de voltar a aconchegar-me no quentinho das mantinhas e da casa.

Na verdade dei por ele ainda ontem. Esse frio de inverno e de janeiro, que me faz ter vontade de hibernar – se eu pudesse, hibernava em janeiro! E só voltava com a primavera. Senti-o de manhã cedo, antecipar-se ao calendário. E depois piorar, quando o último dia do ano entardecia e eu entretinha-me a sonhar, sentada no banco de uma praça enquanto esperava G para o último chá de 2018.

Enrolada na mantinha, bebericando o vinho que sobrou de ontem – ergui a taça sem grande convicção, mera rotina, e depois cai de sono nas primeiras horas do novo ano –, embalo-me terça-feira-feriado o dia inteiro. Livros, filmes, expectativas e medos. É um longo e conhecido rosário.

Lá fora, o céu azul, magnificamente limpo, acaba de tornar-se negro. Bom dia, ano novo. Boa noite, ano novo. Daqui ainda não consigo ver as estrelas.♥♣

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Quase um mês depois.

23 Dec

Por uma razão ou outra, vou somando ‘páginas’ em branco. Num dia, não escrevo porque não fiz a foto para ilustrar o texto, não me sinto inspirada ou não tenho tempo (raios, que desculpa sem sentido!). No outro, convenço-me que tenho tanto frio que só me apetece ficar enroscada na mantinha, lã sobre os dedos das duas mãos que fogem do teclado.

E os dias correm. Fogem pelo outono adentro, diminuindo em luz lá fora. E agora já é inverno, acabado de chegar. E há sol, depois do nevoeiro. E é quase natal.

Um mês de ausência e tanta coisa mudou! Novas aprendizagens e encontros, passeios por aí, num namoro com a natureza que me faz bem e às vezes acalma – observar, observar, inspirar-expirar, deixar ir: sorrisos e lágrimas. Ouvir os pássaros que ficaram para além do verão, os galos nos montes, as vacas e as cabras que comem erva distraídas. E às vezes há um riacho que se entusiasma entre pedras e loureiros-rosa. E eu quase me entusiamo com ele, mergulhando no verde com o corpo todo, e a alma. Tanta coisa boa! E, no entanto, tanta estranheza! Tanto cansaço da viagem que não quis!

Por aí, do “Diário dos dias do fim”

7 Nov

 

Tenho andado por aí! A espairecer, sempre que a chuva me dá uma folga.  Absorvendo a paisagem que é absolutamente maravilhosa de qualquer ângulo. A qualquer hora. Sobretudo no outono, com campos verdejantes a perder de vista, salpicados de cores terra. De aqui, de onde estou agora, distingo umas pinceladas vermelhas e amarelas à sombra de um pinheiro. Não há vento, apenas uma aragem que cheira a limões. Abro a minha janela para absorvê-la, por inteiro! É quarta-feira e há sol.

Tenho andado por aí! Dia e noite, à volta dos meus prazeres. Com a lua chegam mais os livros, a malha (tem um efeito profundamente relaxante em mim. estou a fazer um casaco bem quentinho, pelos joelhos) enquanto ouço a informação na televisão, e novamente os livros. De dia escrevo, anoto ideias, preparo coisas, vou ao ginásio. Levanto-me cedo e sento-me ao computador a ler os jornais.

E entre umas coisas e outras, vou entretendo os dias com alegrias simples: no fim de semana plantei coentros e menta, as raízes enterraram-se na terra com uma determinação admirável!, agora só quero vê-los crescer. Antes tinha passeado com uma amiga minha, de infância, pelo campo. Regressámos a casa pela margem do rio no sentido descendente. Parámos para visitar uma pequena povoação. Havia sol também a essa hora que entrámos no monte pequenino e cheio de graça, de paredes brancas. E os pássaros e os galos cantavam. E os cães ladravam. E os perus juntavam-se à orquestra dos animais da quinta. Todos juntos recortando o silêncio do lugar, do lado da planície e dos cerros.  E a minha amiga e eu apanhávamos romãs quase silvestres, pequenas, vermelhas-rosadas por fora, com bagos suculentos da cor do sangue por dentro. ♥

Relaxar

26 Oct

2018-10-26 17.50.35Não vejo a hora da hora do aconchego! Fim de tarde, lusco-fusco. Um livro para ler, um copo de vinho (tinto, Bio, produto local) para bebericar. A entrar no fim de semana – e na noite – devagar. Docemente. Engano o desejo de outra coisa. Enquanto chove lá fora, enquanto para de chover lá fora. E a humidade se agarra às paredes brancas. Com barras às vezes amarelas, outras azuis.♠

Bom dia segunda-feira!

3 Mar

morangos

Começo a semana assim. Com muita energia e uma taça de morangos vermelhos. Lindos e tentadores. De manhã cedinho… Feliz. Decidida. Sair para o ginásio. E depois voltar para casa. Avançar um pouco mais com a escrita, reunir mais informação. E quando começo a organizar-me, ter de sair de novo. Para um curso, no outro lado da cidade. Aproveito este tempo para aprender coisas novas. E otimizar os conhecimentos adquiridos. Limar arestas, é um trabalho que nunca acaba. Sair da zona de conforto, desafiar-me. Tudo seria mais fácil se eu não fosse tão exigente! Mas ando a esforçar-me para ser paciente comigo. Ando muito concentrada nesta espécie de mantra. Ao longo do dia repito vezes sem conta – às vezes em voz alta, quando sei que ninguém me ouve – que este é o meu tempo de experiências. De experimentar coisas novas. E, por isso, de errar. E voltar a fazer, a tentar, se estiver realmente interessada. E, no limite, quem sabe descobrir uma nova paixão que complemente a escrita. Ou não. Continuo expetante! E otimista. E grata por esta oportunidade.

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