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Simples, bonito e bom

4 Sep
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Kiwis, iogurte e nozes

De facto, assim se resume o meu pequeno-almoço de hoje. Continue reading

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Mais um ano

11 Dec

caminhar

Quero estar fora de mim daqui a pouco, quando o dia 11 (de dezembro) começar. Não gosto de fazer anos. Mas gosto dos beijinhos da família e dos amigos ao longo do dia.

Não há como evitar, sou a mais nova de quatro filhos. Mimada pelos manos mais velhos e pelas tias.

É claro que gosto de estar viva e fazer anos é sinal disso, não se cansam de me dizer. Mas o que eu não gosto é de envelhecer. Pronto, já disse. Eis a minha fraqueza!

As pessoas mais velhas asseguram-me que é assim com toda a gente, ninguém realmente gosta de fazer anos a partir de uns determinados ‘entas’. Mas eu não tenho a certeza. Vejo tanta gente feliz a soprar velas.

O tempo é implacável: mais uma ruga, mais uma gordurinha … e, olhem, que eu até sou magra e pratico atividade física e, portanto, estou em muito boa forma

Não me consolam com essa ‘treta’ da sabedoria que o passar dos anos conquista. E de outros encantos que só acontecem por essa altura. Embora concorde que os anos de ‘uma certa glória’ chegam com os quarenta.

A partir deles, comecei a descobrir novas coisas. Em todos os sentidos! Mas penso que isso está muito mais ligado à nossa capacidade de reinventarmo-nos.

Seja como for, os últimos anos da minha vida têm sido muito bonitos! Uma grande aventura de descoberta dentro e fora de mim, com algumas crises de identidade à mistura – e outras! Um balanço razoável, digamos.

Alarguei interesses, desenvolvi capacidades e otimizei outras como a paciência e a resiliência. Mas a ‘biologia’ é tramada! O corpo sente-se, o corpo tem memória. Por isso recorda. E mesmo no melhor dos cenários, lembra que os anos vão correndo.

Já falta pouco para a meia-noite, o princípio do dia 11. Eu nasci pela fresquinha, às 5.30 da madrugada ‘desse ano’ – num dia de nevoeiro cerrado, em que se chegou a pensar que D. Sebastião chegaria, finalmente, com ele!

Dizia-se lá em casa, ‘à boca pequena’, que o meu pai sonhou com um rapaz até ao último momento. No tempo em que não havia ecografias que descortinam o sexo dos bebés, e que as mães mais sensatas bordavam enxovais com linhas de cores neutras.

O meu pai nunca me ‘confessou’ esse desejo, e a minha mãe fazia mistério à volta do assunto. Mas ainda que seja verdade não é importante, porque sei que ele me amou sempre. Mesmo quando eu me portava mal.

Acho que já disse tudo e continuo indecisa… devo publicar esta crónica? Afinal, trata-se de um desnudamento público. Provavelmente, demasiado emocional!

E daí, porque não? Porque havemos de querer escrever apenas sobre assuntos que pensamos ser inteligentes? Porque temos esta mania de esconder os nossos medos e o que nos emociona?

Decidi: hoje vou correr o risco de tornar-me ‘quase transparente’. Pelo menos hoje! Talvez só por hoje!

Notas de outono e a minha mãe

14 Sep

rosa - Cópia recortada

Hoje há qualquer coisa no ar. Ainda é muito subtil, mas ‘anda por aí’: uma luz menos intensa, um cheiro de passagem de estação que me faz apetecer ir para a cozinha fazer compota de ameixa, biscoitos e bolinhos de mel.

Tenho rituais para acolher as estações que aprendi com a minha mãe. E tal como ela, os melhores celebram a primavera e o outono.

Juntas, costumávamos fazer passeios pelos campos, quando os dias começavam a crescer. “O Alentejo é mais bonito nesta altura”, dizia-me ela – a madeirense que nunca perdeu as raízes e vivia com saudades do mar.

No outono íamos as duas para a cozinha, onde ela juntava o melhor das duas regiões inventando bolinhos que misturavam mel, café e especiarias. Comecei por lamber a taça onde restava sempre uma generosa porção de massa dourada, como criança que era. Mais tarde fiz todas aquelas receitas.

Não me lembro da primeira vez que ela colocou nas minhas mãos o pequeno bolinho cozido numa forma própria, especialmente para mim. Mas lembro-me da última: eu já tinha 30 anos!

Ah, como eu me sentia uma criança orgulhosa de ter um amor assim para mim. Dos gestos que me diziam “gosto de ti”.

Hoje vou celebrar estas notas de outono, que fizeram com que tu ainda estivesses mais presente, mãe. Vou fazer uma compota de ameixa, onde possa continuar a sentir a acidez do fruto.

E a ti, que  fazias crescer flores entre o xisto, deixo uma rosa.

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