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As 5 fases do luto

20 Sep

O mar recortado

Depois da perda há o luto. Após um divórcio ou uma situação de desemprego, duas das perdas mais comuns dos nossos dias, é natural passar-se por um período de sentimentos controversos “enquanto nos preparamos para novas conquistas.”

Quem o diz é a psicóloga clínica Ana Almeida, lembrando que “a força do impacto destes acontecimentos depende”, em grande parte, do “grau de dependência emocional e/ou financeira”. Ou seja, da situação de desamparo que é gerada”.

Diz ainda que quando o processo de luto é saudável, a pessoa passa por estas cinco fases:

• Negação: pode durar minutos ou horas. Fica-se em ‘estado de choque’, incrédula. (Vou mesmo divorciar-me?! Vou mesmo ser despedida?! ) Neste período tende-se a negar a realidade, desmentindo-a (está a brincar comigo, isso não é verdade) ou silenciando-se.

• Raiva: dá-se livre expressão à zanga e à raiva, falando do assunto e dizendo a toda a gente como se sente injustiçado e zangado (com os patrões, o marido, deus) por ter permitido ou desencadeado o acontecimento.

• Negociação: a pessoa tentar concentrar-se em eventuais ganhos que aquela perda tenha trazido, e tenta arranjar forma, internamente, para se sentir mais em paz com o acontecimento (também há negociações práticas: a divisão de bens com o marido, a guarda dos filhos; a indemnização com a empresa)

• Depressão: período de um certo abatimento natural. Sentimentos de tristeza, desamparo, culpa, falta de esperança e medo são frequentes e podem deixar marcas profundas. Chora-se mais, sente-se a perda, de forma mais profunda, como um vazio.

• Aceitação: um maior distanciamento em relação à perda permite olhar a vida antes e depois do acontecimento, e perceber os ganhos e as perdas para si próprio e para outros. Volta a sentir-se esperança e, lentamente, começa-se a reorganizar a nova vida de divorciada e/ou desempregada.

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Viver as emoções

17 Jun

2013-06-05 12.00.33 C

É claro que é bom sorrir! E sentir amor por alguém. Ou por algo. Sorrir é sinal de alegria e um ótimo remédio para manter longe a depressão, o que, por si só, serviria para fazer-nos sorrir mais vezes. Mas a verdade é que também precisamos dos nossos momentos de dor, de sentir tristeza e chorar. Sem que isso seja uma tragédia. E sem termos que sentir vergonha por isso.

Eu falo por mim que sou alegre e gosto de rir, mas aprendi a não me privar de umas boas lágrimas e viver a minha dose de tristeza quando a ‘vida’ me prega uma partida. Ou sempre que me emociono com um gesto autêntico.

Os especialistas chamam a isto ter capacidade de nos emocionarmos e esclarecem que é bom tê-la. Não só é benéfico, como “é essencial, vital e adaptativo”, garante a psicoterapeuta e mediadora familiar Rita Duarte, explicando que em termos evolutivos, as emoções surgem mesmo antes do pensamento.

Explica ainda que na perspetiva da inteligência emocional, o uso das emoções como guia conduz-nos à satisfação das necessidades. “As emoções indicam-nos o que está a acontecer connosco na relação com o mundo interior e exterior, mobilizando-nos, ou não, para responder”. Por isso, podemos dizer que são essencialmente comunicação connosco próprios. “Fazem-nos sentir vivos e, sobretudo, dão-nos sentido de coerência”.

Mas apesar de todas estas vantagens, nem sempre conseguimos descodificar as sensações do nosso corpo e traduzi-las em emoções. A ‘culpa’ é da “variedade de experiências que cada pessoa tem, e da forma como aprendeu a lê-las interiormente”

E, em alguns casos, da educação que recebeu. Quando esta foi castradora relativamente a viver algumas emoções como a zanga e a tristeza, por exemplo. Ao contrário do que por vezes nos é ensinado, “é altamente adaptativo senti-las nas suas formas primárias”, que é o mesmo que dizer “quando não resultam de qualquer consequência das emoções primárias ou de aprendizagens para influenciar ou manipular os outros”.

As emoções são movimentos de energia e, como tal, não devem ser negadas. Até mesmo para que “não se transformem em fantasmas permanentes”! Eu não nego as minhas!

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