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Enquanto chove

18 Oct

2018-10-18 14.06.19

A chuva ficou toda à noite comigo! Começou suavemente, salpicando o vidro da janela do meu quarto – por essa altura, já o vento agitava os braços do limoeiro que se divertia a fazer desenhos na parede lateral, muito branca, que a um canto funciona como cabeceira de cama – , depois ganhou ritmo, depois perdeu ritmo, animando-se toda a noite neste ritmo sobe e desce. Ouvia-a dançar assim, toda a noite. Perto de mim.

E eu travessei a madrugada assim, animada umas vezes pelo vento suave outras pela chuva suave, outras por uma tosse menos suave que a chuva e que o vento. De qualquer forma, dormi melhor. A febre passou. De qualquer forma, vou continuar ‘sitiada’ aqui em casa, mantendo-me quentinha com chá de gengibre (e mel, e limão, e canela), tentando ler e escrever.

2018-10-18 14.04.34

Já de manhã, à procura de um livro para ler ou reler – porque eu gosto de ler livros uma segunda vez, anos depois da primeira – e de um marcador de página, caiu literalmente aos meus pés um título de Scott Peck, que eu tenho há muito tempo mas não cheguei a ler ou a acabar de ler, já não sei!, “O Caminho Menos Percorrido”. Quanto ao marcador, tem uma frase de Paul Pearsall, sobre a qual eu não tenho nada a comentar: “A Vida é mais simples quando pensamos menos nela”. Ainda não decidi se vou ler o livro! E/ou usar o marcador!

 

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No sítio onde os pássaros cantam

30 Mar

curtains

Sou quase sempre feliz. De manhã. Bem cedinho, às 6 horas Ou mais tarde quando a preguiça leva a melhor. E olho para além do vidro da minha janela, onde teimo em não pôr cortinas. Uma saída da praia desenhada de ramos vermelhos e verdes improvisa e protege-me dos olhares. É a minha barreira com o mundo, que me permite a liberdade da nudez. Sou quase sempre feliz no sítio onde os pássaros têm cantado muito por estes dias de primavera bebé, que parece não ter atingido os meses necessários de gestação. Às vezes acordam-me antes do despertador. Ontem embalaram-se num banho de espuma ao cair da noite, e foi a melhor música que podia acompanhar um momento único de relaxamento. Esvaziar a cabeça, não pensar em nada, e o canto dos pássaros. Hoje os pássaros cantam à chuva. E eu não saí de casa à volta da escrita, a minha outra escrita – da objetividade. Fiquei com eles e longe deles, dos pássaros. A concentração no texto levou-me constantemente para longe deles. Para agora regressar a eles, neste momento de intimidade com outro tipo de escrita. Ao canto dos pássaros que embalam os dias felizes, os meus. E os dias de sombras, que também são meus. As certezas e as dúvidas. Sou quase sempre feliz onde os pássaros cantam!

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